A recente vitória de Sinésio Campos à presidência estadual do PT no Amazonas tem gerado discussões acaloradas. Ontem (22), a Folha de S.Paulo fez uma analogia controversa e apontou uma comparação entre o PT no Amazonas e regimes autoritários, como o da Coreia do Norte.
Primeiramente, o texto sugere que, assim como no regime norte-coreano, onde as decisões políticas são tomadas “de cima para baixo”, sem espaço para contestação. Sendo assim, o processo interno do PT no Amazonas teria seguido a mesma lógica, com a eleição de Sinésio Campos sem resistência.
De acordo com a publicação, o partido no estado passou a adotar o uma dinâmica autoritária. Portanto, a escolha de seu líder acontece sem disputa real, gerando uma comparação com o controle rígido de sistemas políticos fechados.
Além disso, a situação se intensifica pelo fato de o segundo colocado, José Ricardo (PT-AM), questionar o resultado, apontando possíveis irregularidades nas urnas.
Vitória de Sinésio Campos e suspeitas de fraude
Sinésio Campos foi reeleito presidente do PT estadual com uma vantagem expressiva de mais de 5.800 votos, superando José Ricardo, que obteve apenas 1.358 votos. O mais surpreendente, no entanto, foi a vitória de Campos em várias cidades. Por exemplo, em cinco municípios ele 100% dos votos e mais de 99% em outros dois, levantando suspeitas de fraudes eleitorais.
As cidades que registraram esses resultados foram: Guajará, Juruá, Maraã, Piauí e Tapauá, locais onde, segundo a reportagem, menos de 200 eleitores participaram da votação. Em algumas dessas cidades, Sinésio Campos obteve resultados extremamente altos, como 99,2% dos votos em Manicoré, onde ele recebeu 253 votos, com apenas 1 voto em branco e 1 nulo.
Suspeitas de irregularidades nas votação
Além disso, em outras cidades, como Santa Isabel do Rio Negro, Envira e Beruri, o presidente reeleito também obteve maiorias expressivas, com 95%, 93,6% e 88,8% dos votos, respectivamente. Esses resultados, especialmente em locais com baixo número de eleitores, aumentam as dúvidas sobre a legitimidade do processo eleitoral.
Falta de dissidência interna
Embora o PT seja um partido democrático, a coluna da Folha de S.Paulo faz uma crítica à falta de dissidência interna e à centralização das decisões. Na visão da coluna, estão são elementos que, embora não diretamente comparáveis, têm semelhanças com as características de regimes fechados.
A crítica se refere ao fato de que, no PT do Amazonas, a falta de disputa interna e a unanimidade nas votações podem ser indicativos de um sistema político menos democrático do que se espera em um partido que se autodenomina de esquerda e defensor da democracia.