10 de janeiro de 2026
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Tarifaço sobre parte de exportações brasileiras começa nesta quarta-feira (6)

De acordo com especialistas, o tarifaço tem motivação política e seria uma tentativa dos EUA de pressionar o Brics.

© Divulgação/Porto de Santos

Entrou em vigor nesta quarta-feira (6) a tarifa de 50% sobre parte das exportações brasileiras aos Estados Unidos, medida assinada na semana passada pelo presidente norte-americano Donald Trump. A decisão impacta 35,9% das mercadorias exportadas ao mercado americano, o que equivale a 4% das exportações totais do Brasil.

Café, frutas e carnes entre os produtos afetados

Entre os produtos brasileiros atingidos pela sobretaxa estão café, frutas e carnes. No entanto, cerca de 700 produtos ficaram de fora da nova taxação, incluindo suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes, aeronaves civis e peças, celulose, metais preciosos e produtos energéticos.

Tarifa é vista como pressão política dos EUA contra o Brics

De acordo com especialistas, o tarifaço tem motivação política e seria uma tentativa dos EUA de pressionar o Brics. Ademais, o bloco está fortalecendo laços econômicos e propõe substituir o dólar nas trocas comerciais. O movimento é considerado por Washington como uma ameaça à sua hegemonia global.

A medida é parte da estratégia de Trump de elevar tarifas contra países com os quais os EUA mantêm desequilíbrios comerciais. Embora os EUA tenham superávit com o Brasil, a tarifa sofreu elevação de 50% em retaliação a ações que, de acordo com Trump, prejudicam big techs americanas. A decisão também veio em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe após as eleições de 2022.

Lula: “Brasil não pode ser tratado como uma republiqueta”

Durante pronunciamento no último domingo (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou que o país não deseja entrar em confronto com os Estados Unidos. Contudo, ele alertou que o Brasil merece respeito enquanto nação soberana. Além disso, o presidente também defendeu o uso de moedas alternativas ao dólar nas transações internacionais.

“O Brasil não será tratado como um país inferior e continuará discutindo alternativas ao dólar”, afirmou o presidente em tom firme, sem citar diretamente Donald Trump.

Governo anuncia plano de apoio a empresas afetadas

O governo federal confirmou que irá implementar, nos próximos dias, um plano de contingência para auxiliar empresas impactadas pelo tarifaço. A proposta inclui linhas de crédito específicas e contratos com o governo para compensar as perdas nas exportações.

EUA e Brasil iniciam tratativas; Haddad sugere acordo com minerais estratégicos

Com a confirmação da medida, a Secretaria do Tesouro dos EUA entrou em contato com o Ministério da Fazenda para abrir negociações bilaterais. Trump também se declarou disposto a conversar pessoalmente com Lula.

Nesta semana, o ministro Fernando Haddad afirmou que o Brasil pode usar como trunfo a sua riqueza em minerais críticos e terras raras, essenciais para a indústria tecnológica.

“Os Estados Unidos não são abundantes nesses minérios. Podemos fechar parcerias para a produção de baterias mais eficientes”, explicou Haddad, sugerindo que um acordo pode beneficiar ambos os lados.

Ele também revelou que o setor cafeeiro já articula para tentar remover o café da lista de produtos tarifados. Curiosamente, no mesmo dia em que Trump assinou o tarifaço, a China habilitou 183 empresas brasileiras para exportar café ao mercado asiático.

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