24.3 C
Manaus
27 de janeiro de 2026
Amazonas

Setembro Amarelo: Especialistas chamam atenção para cuidados com crianças e adolescentes

As formas mais leves da automutilação, conhecida pela palavra inglesa “cutting”, podem envolver machucados como arranhões e pequenos cortes, podendo chegar a mutilações severas. Mais comum em crianças e adolescentes, especialistas da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) alertam pais e responsáveis sobre as causas e fatores de risco, neste Setembro Amarelo de Campanha de Valorização à Vida.

Mesmo não sendo encarada como um transtorno psíquico, o sintoma pode estar associado a várias condições da saúde mental. Na avaliação da neuropsicóloga da SES-AM, mestre em Teoria e Pesquisa do Comportamento, Lilian Donato, os sinais indicam a necessidade de investigação profissional.

Para tentar disfarçar as lesões, mais comumente encontradas nos braços, pernas, barriga e quadril, os jovens passam a alterar alguns comportamentos.

“Mudanças bruscas no vestuário, que não se justificam pelas preferências do adolescente, ou uso de roupas com mangas longas, como casacos e camisas, incompatíveis com o clima vigente, podem ser um primeiro sinal de alerta”, exemplificou ela.

Entre as causas para o início da prática, a especialista cita conflitos familiares, problemas de autoimagem, abuso sexual, bullying, transtornos de humor, principalmente com adolescentes entre 13 a 18 anos, que recorrem com mais frequência à autolesão como estratégia para lidar com emoções fortes, tensão e frustrações.

Transformações X crise – De acordo com a neuropsicóloga, é natural que a criança ou adolescente passem por mudanças, já que esta é a principal marca do desenvolvimento, mas, ao sinal de alterações, os adultos devem ligar o sinal de alerta e procurar ajuda profissional.

“Um especialista pode contribuir com este desenvolvimento quando a criança/adolescente está passando por um momento de crise, familiar ou individual, ou em situações em que os responsáveis observam alterações abruptas no padrão de humor, alimentação, sono-vigília, isolamento social, que não se justificam pelo momento vivenciado”, acrescentou.

No fator social, a psicóloga cita o isolamento social; bullying; baixa escolaridade; formação profissional e/ou emprego; e amigos com história de automutilação. Até mesmo o uso da internet pode ser um fator importante que deve ser observado.

“Ao falarmos do público adolescente e infantojuvenil, observamos que hoje temos a influência da internet, que, sem supervisão, assim como qualquer outro espaço, pode expor a criança/adolescente a formas não saudáveis de enfrentar o sofrimento psíquico ou de autoafirmação”, apontou Lilian.

No caso dos fatores individuais estão, segundo os especialistas, a depressão, ansiedade, orientação sexual e a baixa autoestima como fatores que podem ser desencadeadores da automutilação. Os familiares incluem, ainda, fatores como assédio, abuso físico e sexual; negligência emocional; separação precoce dos pais e familiares com história de automutilação.

Para a psicóloga da SES-AM, que atua no ambulatório de diversidade de gênero da Policlínica Codajás, Michelle Rodrigues, o sentimento de culpa também deve ser observado quando o fator desencadeante está relacionado à orientação sexual, principalmente quando há conflitos familiares. Ela reforça que a escuta acolhedora é sempre a melhor maneira de abordagem.

“A gente precisa, na atuação clínica em psicoterapia, tentar buscar quais esses possíveis desencadeadores e trabalhar então a verificação desses sentidos e significados, para que a pessoa consiga quebrar o ciclo de autopunição e viver a sua vida de forma saudável, ter várias formas de viver o prazer, de se gostar do seu corpo”, disse Michele.

Papel dos pais – A principal recomendação da neuropsicóloga vai para os pais ou responsáveis. Segundo Lilian, o papo aberto, sem julgamentos, é a principal orientação. Brigas, castigos e proibições acabam fortalecendo o comportamento de isolamento, conforme explica a especialista.

“A primeira coisa é uma conversa sem julgamentos, na qual o adulto se disponha a ouvir o que a criança/adolescente tem a dizer, em uma postura acolhedora, evitando monólogos, mantendo o seu controle emocional e propor buscar ajuda de um profissional juntos”, concluiu.

Leia mais

Vídeo mostra os últimos momentos de jovem que morreu em flutuante no AM

Matheus Valadares

Acidente em Itacoatiara mata filho de vereadora após colisão com palmeira

Matheus Valadares

Ataque de onça assusta moradores do Cacau-Pereira, em Iranduba

Matheus Valadares

Ao continuar navegando, você concorda com as condições previstas na nossa Política de Privacidade. Aceitar Leia mais

Ao utilizar este conteúdo, não esqueça de citar a fonte!