O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai, encerrando mais de 25 anos de negociações. A cerimônia contou com a presença de líderes sul-americanos e europeus, incluindo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e os presidentes de Paraguai, Argentina, Uruguai e Bolívia. O chanceler Mauro Vieira representou o Brasil.
Em discurso, Ursula von der Leyen destacou a escolha pelo “comércio justo e pela parceria”. Mauro Vieira afirmou que o tratado tem enorme potencial econômico e forte significado geopolítico, reforçando a cooperação e o multilateralismo em um cenário global instável.
O pacto cria a maior área de livre comércio do mundo, com cerca de 721 milhões de habitantes e PIB conjunto de US$ 22 trilhões. Para o Brasil, amplia o acesso a um mercado de aproximadamente 450 milhões de consumidores. Atualmente, o comércio entre os blocos movimenta cerca de 110 bilhões de euros por ano.
Apesar da assinatura, a entrada em vigor está prevista para o segundo semestre, após aprovação do Parlamento Europeu. O acordo prevê a eliminação gradual de tarifas: no Mercosul, até 91% dos bens importados da UE terão imposto zero; do lado europeu, 95% dos bens brasileiros também ficarão livres de tarifas.
Entre os efeitos práticos, estão a maior entrada de carros, máquinas, vinhos e produtos industriais europeus. Já a UE facilitará a importação de carne, açúcar, soja e outros produtos agrícolas sul-americanos. Especialistas apontam possível redução de preços ao consumidor, mas alertam para desafios à indústria nacional em alguns setores.
