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6 de maio de 2026
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Vorcaro e ex-presidente do BRB divergem sobre carteiras bilionárias do Banco Master

Os registros do procedimento foram tornados públicos nesta quinta-feira (29) por decisão do ministro Dias Toffoli.

O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, apresentaram versões contraditórias durante uma acareação realizada no Supremo Tribunal Federal (STF). Os registros do procedimento foram tornados públicos nesta quinta-feira (29) por decisão do ministro Dias Toffoli.

A acareação teve como objetivo esclarecer a origem de carteiras de crédito bilionárias adquiridas pelo BRB a partir de 2025 e que, posteriormente, apresentaram forte desvalorização. O principal ponto de divergência diz respeito ao nível de transparência da operação.

Vorcaro afirmou que o banco público recebeu a informação de que os ativos negociados não eram de originação própria do Banco Master. Entretanto, eles pertenciam a terceiros. Já Paulo Henrique Costa negou o recebimento dessa informação. O ex-presidente do BRB sustentou que o banco acreditava estar adquirindo créditos originados pelo próprio Master. Além disso, ele revelou que houve a recompra de outros agentes antes da revenda.

Durante a investigação conduzida pela Polícia Federal (PF), apurou-se que o Banco Master adquiriu carteiras de crédito da consultoria Tirreno sem pagamento imediato. Em seguida, houve o repasse desses ativos ao BRB por aproximadamente R$ 12 bilhões. Na acareação, Vorcaro declarou que não conhecia a empresa à época. Desse modo, o banqueiro mencionou apenas a adoção de um novo modelo de comercialização com créditos de terceiros.

Inconsistências documentais

Em sentido oposto, Costa afirmou que só houve a identificação da ligação com a Tirreno meses depois, após análises técnicas apontarem inconsistências documentais. Segundo ele, o nome do originador final normalmente não consta nos relatórios de risco, o que dificultou a identificação inicial da operação.

O caso ganhou maior gravidade após o Banco Central liquidar o Banco Master em novembro do ano passado, em razão de uma crise de liquidez. A PF investiga se o BRB deixou de cumprir protocolos de governança ao realizar operações que chegaram a representar cerca de 30% do patrimônio do banco público.

Em depoimento anterior, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, alertou que as perdas potenciais do BRB podem alcançar R$ 5 bilhões, em razão da baixa qualidade dos ativos. Para reduzir o impacto financeiro, as instituições realizaram uma troca de R$ 12,7 bilhões em ativos, com aplicação de deságio de 30%.

A defesa de Paulo Henrique Costa sustenta que as operações seguiram padrões do sistema financeiro e que o BRB comunicou os órgãos competentes ao identificar irregularidades. Já Vorcaro argumenta que o negócio era vantajoso para o mercado e que a análise de risco deveria se concentrar no devedor final.

Em nota, o Banco Central reforçou que, apesar da atuação de supervisão, a responsabilidade pela avaliação dos créditos e pela gestão de riscos cabe exclusivamente a cada instituição financeira.

 

 

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