O Supremo Tribunal Federal (STF) afastou o prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), nesta quarta-feira (16), durante a Operação Dinastia do Lago, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de fraude em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro relacionados à administração municipal.
Além do prefeito, secretários e servidores do município também foram alcançados pelas medidas judiciais. A operação cumpre 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari, além de outras medidas cautelares autorizadas pelo STF.
Adail Filho também aparece entre os alvos
O deputado federal Adail Filho (MDB-AM), filho do prefeito afastado, também está entre os alvos da investigação. A Polícia Federal realizou buscas em um imóvel ligado ao parlamentar em Manaus, onde apreendeu dinheiro, joias e veículos de luxo.
Na capital amazonense, os agentes estiveram no condomínio Renaissance, onde fica a residência de Adail Filho. Dois carros de luxo também foram apreendidos em um imóvel conhecido como “Casa do Adailzinho”, segundo informações divulgadas sobre a operação.
A investigação busca esclarecer uma possível atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e terceiros para direcionar licitações, desviar recursos e realizar movimentações financeiras destinadas, em tese, ao pagamento de vantagens indevidas e à ocultação da origem e dos destinatários dos valores.
Entre os empresários citados nas apurações estão Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho. A investigação procura esclarecer possíveis relações deles com contratos públicos e agentes ligados à administração de Coari.
Os fatos investigados podem configurar, em tese, crimes como organização criminosa, fraude em licitação, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. A apuração, no entanto, ainda está em andamento e não representa condenação dos investigados.
R$ 1,25 milhão está na origem da investigação
A investigação avançou após a apreensão de aproximadamente R$ 1,25 milhão em espécie, em maio de 2025. Na ocasião, os investigadores encontraram três empresários transportando o dinheiro em um voo entre Manaus e Brasília.
A partir da apreensão, os investigadores passaram a analisar documentos, dispositivos eletrônicos e movimentações financeiras. O trabalho resultou na apuração de possíveis vínculos entre empresários, contratos públicos e agentes ligados à Prefeitura de Coari.
Com a deflagração da Dinastia do Lago, as diligências chegaram diretamente à estrutura administrativa do município e a endereços ligados à família de Adail Pinheiro. O prefeito permanece afastado por determinação judicial, enquanto Adail Filho segue entre os investigados pela Polícia Federal.
Operação da PF mira Adail Filho e apreende dinheiro, joias e carros de luxo em Manaus
