O adolescente de 15 anos suspeito de matar a própria mãe, Gabriela Barbosa, de 33 anos, em Oeiras, Portugal, já havia presenciado um episódio de violência cometido pelo pai contra a vítima. A informação foi relatada por Gilmara Barbosa, irmã de Gabriela, que contou que a família já tinha conhecimento do comportamento agressivo do jovem.
Segundo Gilmara, Gabriela havia relatado aos familiares problemas na relação com o filho e chegou a procurar a polícia após uma discussão. A brasileira havia se mudado para Portugal há cerca de três anos, acompanhada dos filhos e do então marido, em busca de melhores condições de vida.
A vítima decidiu se separar após relatar que o companheiro não contribuía financeiramente com a família e apresentava comportamento agressivo e possessivo. O homem está preso desde outubro do ano passado.
“O marido não aceitou a separação e tentou matá-la estrangulada. Só que, neste dia, ele ligou para a mãe dele e ela mandou ele se entregar. Aí a polícia foi lá e conseguiu reanimar a minha irmã, porque ela já estava desacordada. E agora o filho dela faz isso com ela”, lamentou Gilmara.
Adolescente impediu agressão do pai
De acordo com a irmã da vítima, o adolescente e a irmã caçula, de 4 anos, presenciaram o episódio de violência envolvendo o pai.
Gilmara contou que, naquela ocasião, o adolescente teria retirado as facas da residência e jogado os objetos fora para impedir que o pai utilizasse as armas contra Gabriela.
“Ele já sabia que o pai dele ia tentar isso”, afirmou.
O homem responde a um processo em Portugal relacionado a acusações de violência doméstica e violação agravada.
Relação entre mãe e filho
Ainda segundo Gilmara, Gabriela enfrentava dificuldades no relacionamento com o filho adolescente. A tia afirma que ele não aceitava ser contrariado e que as discussões entre os dois teriam se tornado frequentes.
“A mãe dele proibia ele de fazer algumas coisas, ele fazia e ia ‘pra cima’ dela. Tanto que ela já tinha denunciado ele lá. Ele já vinha ameaçando ela de morte há muito tempo”, relatou.
Além das circunstâncias da morte, as autoridades portuguesas também investigam o histórico familiar. Conforme informações divulgadas pelo jornal português Correio da Manhã, o adolescente também fez denúncias contra a própria mãe, alegando supostas agressões.
Polícia investiga histórico de violência
Segundo o jornal português Público, a Polícia Judiciária informou que o contexto relacionado ao crime estaria ligado a possíveis maus-tratos físicos e psicológicos envolvendo Gabriela e os dois filhos. As autoridades também mencionaram a existência de episódios de violência recorrentes.
O Conselho Superior da Magistratura (CSM) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmaram a existência, desde 2025, de um processo de promoção e proteção envolvendo o adolescente e a irmã, que tramitava no Tribunal de Família e Menores de Cascais.
Em janeiro de 2026, houve a firmação de um acordo de promoção e proteção, com aplicação de medida de apoio junto à mãe.
Em relação ao pai das crianças, tramita um processo no Juízo Central Criminal de Cascais, no qual ele responde por crimes de violência doméstica e violação agravada.
Entenda o caso
O crime aconteceu na noite de quarta-feira (12), dentro do apartamento onde Gabriela morava com os filhos. Segundo as autoridades portuguesas, o adolescente teria utilizado um golpe conhecido como “mata-leão” durante uma discussão com a mãe.
Após o episódio, o jovem permaneceu no imóvel durante o dia seguinte e procurou a polícia aproximadamente 21 horas depois. Gabriela foi encontrada já sem vida dentro do apartamento.
O último emprego da brasileira foi em um restaurante. Atualmente, ela recebia subsídio de desemprego e, segundo familiares, planejava retornar ao Brasil ainda este ano.
Família arrecada dinheiro
Familiares de Gabriela, natural de Osasco (SP), organizaram uma campanha para arrecadar recursos destinados ao traslado do corpo para o Brasil.
A mãe e a irmã da vítima também tentam viajar para Portugal para acompanhar a situação da filha caçula de Gabriela, de 4 anos. Desde a morte da mãe, a criança está sob os cuidados de uma amiga da família.
Por ter 15 anos, o adolescente está submetido ao regime tutelar educativo previsto pela legislação portuguesa, e não ao sistema de responsabilização criminal aplicado a adultos. Ele deverá ser apresentado a um juiz, que determinará as medidas cabíveis.
