O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu aplausos e ouviu gritos de “nosso herói” durante um voo de Brasília para São Paulo na quinta-feira (17). De acordo com a coluna de Daniela Lima, do UOL, as manifestações partiram de passageiros que estavam na aeronave.
O gabinete do ministro não comentou o episódio. Mendonça viajava enquanto voltavam a repercutir críticas públicas feitas pelo ministro Gilmar Mendes sobre sua atuação no caso Master.
A princípio, o embate entre os dois ministros ganhou força durante uma sessão do STF na terça-feira (15). Gilmar classificou Mendonça como um agente político ao questionar a condução do processo.
Em resposta, Mendonça divulgou uma nota na qual afirmou que o relator “jamais ameaçou quem quer que seja de execração pública. Inclusive, nem se valeu de linguajar impróprio para que alguém se retirasse de julgamento”.
O ministro também acusou Gilmar de transformar “o plenário num palanque ou picadeiro”. Ele afirmou que o colega recorreu à “truculência” para sustentar acusações que, segundo ele, não possuem fundamento jurídico.
Mendonça ainda defendeu que divergências são naturais em um tribunal colegiado e declarou que “ilegítima é a tentativa de constranger o julgador”.
Gilmar citou ato de Flávio Bolsonaro
Dois dias antes, Gilmar Mendes havia acusado Mendonça de conduzir o caso Master com suposto “viés político-eleitoral”. Ao fazer a crítica, o decano relacionou a escolha da data de 7 de Setembro ao contexto político e mencionou um ato convocado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Avenida Paulista.
“É evidente e até as pedras sabem que há um inequívoco viés eleitoral na forma como o tema foi conduzido nos autos dessa PET. Escolha de data, 7 de Setembro, todo esse cenário envolvendo essa Corte em campanha eleitoral”, declarou Gilmar.
O ministro também mencionou a presença de um “pixuleco” de Mendonça em manifestação ligada ao ato de Flávio Bolsonaro.
Após Mendonça afirmar que Gilmar estava “sendo leviano”, o decano respondeu: “Quem não se dá respeito não merece respeito”.
O episódio ocorre em meio à troca pública de críticas entre os dois ministros sobre a condução do caso Master e a divulgação de informações relacionadas à investigação.
