27.3 C
Manaus
19 de setembro de 2026
CulturaDestaques

Boi Garantido leva fé, rosas e tradição às ruas de Parintins na Ladainha de Santo Antônio

Celebração reafirma a devoção popular e preserva um dos legados mais antigos da história do Boi do Povão

Foto: Sérgio Cole

Na noite desta sexta-feira, 12/6, o Boi Garantido tomou as ruas de Parintins para manter viva uma de suas tradições mais antigas e simbólicas: a Ladainha de Santo Antônio. Realizada anualmente no Dia dos Namorados, a manifestação reuniu fé, memória e identidade cultural, preservando uma herança que acompanha o Boi do Povão desde 1943.

O cortejo iniciou no Quilombo da Baixa, berço do boi vermelho e branco. Entre cânticos, orações e velas acesas, moradores, torcedores e devotos renovaram a ligação entre cultura popular e religiosidade que molda a trajetória do Garantido há mais de 80 anos.

Um dos momentos mais aguardados foi a tradicional entrega de rosas. Durante o percurso, o Boi Garantido visitou residências e presenteou casais e mulheres com flores, espalhando mensagens de carinho, respeito e afeto. O gesto já integra o calendário afetivo da nação encarnada e simboliza a valorização das mulheres e do amor em todas as formas, reforçando igualdade, diversidade e união.

Entre as orações, a tradição provou que a cultura popular também é feita de encontros, sentimentos e celebração da vida.

Para o presidente do Boi Garantido, Fred Goes, a Ladainha é a prova de que a história do Boi do Povão vai além da arena.

“A Ladainha de Santo Antônio é o Garantido de verdade, de raiz. É a promessa do nosso fundador Lindolfo ganhando as ruas, é o povo rezando junto, é a fé que sustenta nosso Boi há mais de 80 anos. Preservar essa tradição é honrar cada brincante que veio antes de nós. No Quilombo da Baixa, a gente não só lembra o passado. A gente reafirma quem somos e de onde viemos pra chegar forte na arena”, afirmou o presidente.

Memória viva da família Monteverde

A emoção dominou quem carrega as histórias dos pioneiros. Filha do fundador Lindolfo Monteverde, Maria do Carmo Monteverde relembrou a origem da devoção familiar aos santos juninos.

De acordo com Maria, a relação com Santo Antônio é profunda. Sua mãe, Antônia, inspirou parte da devoção, enquanto Lindolfo manteve a fé ensinada por Alexandrina, transformando promessas em manifestações coletivas que se tornaram patrimônio afetivo de Parintins.

“Respeito ao Santo Antônio vem da nossa família. A minha mãe se chamava Antônia e, quando meu pai começou a festejar São João Batista, atendeu a uma orientação da minha avó: ‘Meu filho, se apega a um dos santos que nós festejamos’. É uma alegria muito grande. Eu me lembro de tudo o que vivi quando era criança. Em 1943, com apenas seis anos, vi o Garantido começar a sair pelas ruas cumprindo essa promessa que virou uma linda tradição”, recordou Maria do Carmo.

A Ladainha de Santo Antônio é a preservação da memória e dos valores que fundaram o Boi Garantido. A cada edição, o ritual reforça o compromisso da instituição com suas raízes e estreita os laços entre passado e presente.

Ao cumprir a promessa nas ruas, o Garantido mostra que sua história vai além do Bumbódromo. Ela vive nas famílias, na devoção herdada de Lindolfo Monteverde e na fé que segue unindo gerações de apaixonados pelo Boi do Povão.

 

Leia mais

Adolescente de 17 anos, músico e ligado à igreja, morre após carro capotar na AM-070

Matheus Valadares

Estudantes brigam e trocam facadas dentro de faculdade na Av. Constantino Nery

Matheus Valadares

Amazonense Lucas Batista disputa cinturão da BFL no Canadá em dezembro

Matheus Valadares

Ao continuar navegando, você concorda com as condições previstas na nossa Política de Privacidade. Aceitar Leia mais