O Boi Caprichoso abriu, na noite de sexta-feira (26), a 59ª edição do Festival Folclórico de Parintins com um espetáculo marcado por emoção, identidade cultural e inovação. Com o subtema “O Chão de Origem”, o bumbá azul e branco levou ao Bumbódromo uma apresentação que celebrou as raízes do povo parintinense, a ancestralidade e a força das tradições amazônicas.
A entrada do boi foi um dos momentos mais aguardados da noite. O Caprichoso surgiu içado ao lado da tradicional Vaqueirada, acompanhado pelo apresentador Edmundo Oran. Além disso, levantador de toadas Patrick Araújo, o Amo do Boi Caetano Medeiros, além de Pai Francisco e Mãe Catirina, deram início a uma apresentação que emocionou a galera azulada.
Homenagem às raízes do Caprichoso
Logo no primeiro módulo, a Figura Típica Regional “O Brincador de Boi-Bumbá de Parintins” transformou a arena em um grande boi de rua, homenageando moradores de bairros tradicionais como Francesa, Santa Clara, Aninga, Parananema, Cordovil e Palmares, considerados berços da história do Caprichoso.
Mais de 400 figurantes e alunos da Escola de Arte Irmão Miguel de Pascale participaram da encenação, reforçando a ligação do bumbá com a preservação da cultura popular.
Durante a apresentação, a Porta-Estandarte Marcela Marialva levantou a torcida com uma performance vibrante, enquanto a Sinhazinha da Fazenda Valentina Cid surpreendeu ao surgir flutuando sobre a arena, em um dos momentos de maior impacto visual da noite.
Ao som da toada “Caprichoso – Brinquedo que Canta Seu Chão”, interpretada por Patrick Araújo, o espetáculo reafirmou a conexão entre o boi e sua terra de origem.

Lendas amazônicas e tecnologia encantam o público
A ancestralidade indígena ganhou destaque durante a Celebração Indígena, conduzida pelas vozes de Gilvana e Tainá Borari, ao lado do Pajé e da Cunhã-Poranga.
Um dos pontos altos da apresentação foi a Lenda Amazônica “Cobra Grande – A Deusa da Encantaria”. A alegoria impressionou pela grandiosidade e pelos recursos tecnológicos empregados, como painéis de LED, efeitos de CO₂, gelo seco e movimentos cenográficos. Portanto, a alegoria culimou na entrada triunfal da Cunhã-Poranga Marciele Albuquerque, arrancando aplausos do público.
Outro momento de forte emoção aconteceu com o retorno do ex-Amo do Boi Rei Azevedo à arena. Mesmo após perder a visão em decorrência de complicações da diabetes, ele voltou a declamar versos ao lado de Caetano Medeiros. Isso emocionou torcedores e reforçou a força da tradição caprichosa.
Mensagem em defesa da Amazônia
A preocupação com a preservação ambiental também esteve presente no espetáculo. O módulo alegórico “O Monstro Correntão” trouxe uma crítica ao desmatamento da Amazônia ao representar uma das práticas mais destrutivas utilizadas contra a floresta.
Com efeitos especiais, iluminação cênica e estruturas motorizadas, a alegoria denunciou os impactos ambientais da devastação e destacou a importância da preservação dos territórios amazônicos. O momento contou ainda com a evolução da Rainha do Folclore Cleise Simas.
Ritual indígena encerra apresentação
O encerramento ficou por conta do Ritual Indígena de Iniciação “Wat-Amã – O Ritual da Tucandeira”, inspirado na tradição do povo Sateré-Mawé. A apresentação teve como protagonista o Pajé Erick Beltrão, que surgiu conduzido por uma gigantesca tucandeira. Ela é símbolo da cultura indígena, em um dos cenários mais grandiosos da noite.
Com mais de 200 figurantes em cena, o ritual encerrou a apresentação reafirmando a valorização da memória, da identidade e da resistência dos povos originários da Amazônia.
Ao final do espetáculo, o presidente do Conselho de Arte do Caprichoso, Ericky Nakanome, comemorou o resultado da apresentação.
“Mostramos nossa tradição, nossas raízes e a identidade do Caprichoso. A reação da galera foi extraordinária. Entregamos mais uma vez um espetáculo de excelência.”
O diretor de arena Edwan Oliveira também destacou a organização da equipe, ressaltando que toda a apresentação foi concluída dentro do tempo previsto.
Com uma combinação equilibrada entre tradição, inovação tecnológica e valorização da cultura amazônica, o Boi Caprichoso abriu o Festival de Parintins 2026 deixando uma forte impressão na disputa pelo título deste ano.

