O Boi Caprichoso encerrou, na noite deste domingo (28), sua participação no 59º Festival Folclórico de Parintins com um espetáculo grandioso que exaltou a memória, a resistência e as tradições dos povos da Região Norte. Com o subtema “O Brinquedo da Resistência Canta: Norte Brasil – Chão de Bravos”, o bumbá azul e branco fechou sua trajetória na arena reunindo lendas amazônicas, figuras tradicionais, rituais indígenas e o tradicional Auto do Boi.
Ao longo das três noites de apresentações, o Caprichoso construiu uma narrativa voltada à origem do boi-bumbá, à ancestralidade dos povos da floresta e à preservação dos saberes amazônicos. Na última noite, a proposta reforçou o papel da cultura popular como instrumento de identidade e resistência.
Antes da entrada oficial na arena, o tripa do boi, Edson Azevedo, destacou a preparação da equipe e demonstrou confiança no desempenho do espetáculo. Segundo ele, o Caprichoso manteve uma evolução crescente durante o festival e encerraria a disputa com mais uma apresentação de alto nível.
Logo na abertura, o bumbá emocionou o público ao prestar homenagem ao ex-tripa Markinho Azevedo, falecido em dezembro de 2023. Durante a evolução inicial, uma estrela com a imagem do artista foi exibida no Bumbódromo, enquanto Edson Azevedo conduzia o boi em um momento marcado pela emoção e pelo reconhecimento à história do item.
Na sequência, a Lenda Amazônica “Nhaçã Hekã – Macacos Comedores de Gente”, criada por Geremias Pantoja, levou à arena uma narrativa inspirada nas tradições da Ilha do Bananal. O espetáculo contou a história do guerreiro Maricá enfrentando criaturas que ameaçavam seu povo. Enqunato isso, a cunhã-poranga Marciele Albuquerque surgiu do centro da alegoria conduzida por um pássaro negro, em um dos momentos de maior impacto visual da noite.
Depois, a Figura Típica Regional “As Farinheiras da Amazônia”, assinada por Makoy Cardoso e Nei Meireles, homenageou as mulheres responsáveis pela produção artesanal da farinha de mandioca, símbolo da cultura alimentar amazônica. No auge da apresentação, a Rainha do Folclore, Cleise Simas, surgiu da alegoria e arrancou aplausos da torcida azul e branca.
Outro destaque foi o Auto do Boi Brasileiro, concebido pelo artista Brás Lira. A apresentação resgatou a essência do Bumba-Meu-Boi com a entrada de Pai Francisco e Mãe Catirina, personagens centrais da manifestação cultural que deu origem à maior festa folclórica da Amazônia.
Por fim, o Caprichoso encerrou o espetáculo com o Ritual de Iniciação Xamânica Xikrin M-Bêngôkre. Inspirada na cosmologia do povo Xikrin, a apresentação retratou a formação espiritual do xamã, marcada pela travessia do portal Inhum-djêk e pelo encontro com Okti, o Grande Gavião-Real, figura reverenciada como o primeiro xamã na tradição indígena. A combinação de alegorias monumentais, efeitos especiais e recursos tecnológicos emocionou o público e encerrou a participação do boi em clima de celebração.
Entre os torcedores presentes no Bumbódromo, a parintinense Maria Auxiliadora Fernandes, de 49 anos, afirmou ter acompanhado as três noites do festival e destacou a emoção proporcionada pelo espetáculo do Caprichoso. Para ela, as apresentações demonstraram organização, coesão e respeito à cultura amazônica, reforçando a tradição do bumbá azul e branco na maior festa folclórica do país.
