O Boi Caprichoso transformou o Bumbódromo em um grande palco de celebração da Amazônia na segunda noite do 59º Festival Folclórico de Parintins, realizada neste sábado (27). Com o subtema “O Brinquedo Ancestral Canta: Amazônia, o Chão da Vida”, o bumbá azul e branco apresentou um espetáculo grandioso. Durante a apresentação, houve a exaltação da floresta como território sagrado, valorizando a biodiversidade, os povos originários e a ancestralidade amazônica.
A apresentação começou de forma impactante, com o Caprichoso surgindo do alto da arena em meio a uma cenografia composta por entidades amazônicas, lamparineiros e grandes bailados. Enquanto o apresentador Edmundo Oran conduzia a narrativa, Patrick Araújo interpretava as toadas e Caetano Medeiros emocionava o público com versos que reforçavam a identidade do boi da estrela.
Em seguida, a Lenda Amazônica “Curupira, o Guardião da Vida” roubou a cena. Assinada pelo artista Roberto Reis, a alegoria impressionou pelo tamanho, riqueza de detalhes, movimentos mecanizados e efeitos especiais. No ponto mais alto da estrutura, a cunhã-poranga Marciele Albuquerque protagonizou um dos momentos mais marcantes da noite ao se transformar em onça-pintada e, logo depois, em onça-negra, arrancando aplausos da galera.
Na sequência, Patrick Araújo defendeu o item Toada, Letra e Música com “Amazônia, Nossa Luta em Poesia”. Já a sinhazinha Valentina Cid encantou o público ao realizar uma delicada transformação de figurino inspirada em um beija-flor durante sua evolução.
Outro momento de forte emoção aconteceu quando a Vaqueirada homenageou o compositor Ronaldo Barbosa, autor de mais de cem toadas históricas do Caprichoso. Ao som de “Saga de um Canoeiro”, a galera azul e branca cantou em coro, criando um dos instantes mais emocionantes da apresentação.
Logo depois, a Figura Típica Regional “Pescadores e Pescadoras da Amazônia” valorizou homens e mulheres que preservam os saberes tradicionais das comunidades ribeirinhas. A Rainha do Folclore, Cleise Simas, deu ainda mais brilho ao quadro com uma evolução marcada pela elegância e pela força cênica.
Em um dos momentos mais surpreendentes da noite, o Boi Caprichoso deixou a arena e surgiu entre os torcedores nas arquibancadas. Assim, houve uma interação direta com a galera e aumentando ainda mais a vibração do Bumbódromo.
A celebração dos povos originários também ocupou espaço de destaque. Coreografias inspiradas nas culturas indígenas homenagearam homens e mulheres que perderam a vida na defesa da floresta, dos rios e dos territórios tradicionais. Na sequência, o item Tuxaua entrou para a história com a participação das morubixabas Irá Maraguá, Lup Moara e Ayla Hiskareana. Lup tornou-se a primeira mulher trans a defender o item na arena do Festival de Parintins.
Festa do Povo da Floresta
Posteriormente, a Exaltação Cultural “Festa do Povo da Floresta” reuniu manifestações tradicionais de vários estados da Amazônia Legal. O público acompanhou apresentações de carimbó, cacuriá, samba de couro, marabaixo, congo, parixara e, naturalmente, do boi-bumbá amazonense. Portanto, houve a formação de um grande mosaico da diversidade cultural da região.
Outro momento de grande impacto visual aconteceu quando a porta-estandarte Marcela Marialva sobrevoou a arena sobre uma gigantesca arara-azul, em uma evolução marcada pela leveza e pelos efeitos cênicos.
Por fim, o Ritual de Transcendência Assurini encerrou o espetáculo em clima de emoção. Inspirada na espiritualidade do povo Assurini do Xingu, a apresentação mostrou a importância da harmonia entre natureza, humanidade e mundo espiritual. Em um desfecho apoteótico, o Pajé Erick Beltrão surgiu em uma impressionante cena de levitação, içado pelo espírito Mukaia sobre uma alegoria em movimento, encerrando a apresentação sob aplausos da torcida azul e branca.
Após o espetáculo, Erick Beltrão afirmou que deixou a arena emocionado e com o sentimento de missão cumprida. O presidente Rossy Amoedo comemorou o desempenho da equipe e destacou a união entre todos os segmentos do Caprichoso. Além disso, a Rainha do Folclore, Cleise Simas, ressaltou que os dois primeiros espetáculos refletiram meses de dedicação e trabalho coletivo na busca pelo título do Festival de Parintins.
