Documentos aprendidos pela Polícia Federal apontam que o vice-governador do Amazonas, Carlos Almeida, teve grande influência no suposto esquema fraudulento de compra de respiradores para enfrentamento à Covid-19 no Amazonas. A informação foi dada em coletiva realizada pelo Delegado Regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Henrique Albergaria Silva, na sede da PF, bairro Dom Pedro, zona Oeste.
Silva explicou que o desdobramento foi motivado pela análise dos materiais obtidos na primeira fase da operação, nos quais há indícios de participação de empresários no esquema criminoso. Documentos vinculados às contratações efetuadas pelo governo do estado foram apreendidos. “Ao longo da análise dos materiais apreendidos, constatou-se que o vice-governador teve grande ingerência e influência nos atos praticados pela Secretaria de Saúde”, afirmou.
Os detalhes da atuação do vice Carlos Almeida ainda estão sendo apurados pelo inquérito. Por meio de investigação, que contou com a colaboração da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), foram constatados indícios de que a fornecedora de respiradores é uma empresa de fachada, uma vez que o endereço se refere a uma residência.
O empresário Luiz Avelino foi apontando como possível sócio oculto de uma das empresas investigadas. “Há sinais de que parte do lucro da vendas dos respiradores foi utilizado para a compra de testes rápidos, posteriormente vendidos ao governo do Amazonas”.
Segundo o delegado, a empresa montou um procedimento para viabilizar e legalizar a contratação do fornecimento, pois o material não apresentava as especificações técnicas previstas na licitação. Estima-se que o total de desvios liberados pelo esquema seja de R$ 3 milhões. O delegado, no entanto, não confirmou o valor.
Alvos de cinco mandados de prisão da segunda fase da Operação Sangria deverão seguir ainda hoje para presídio em Manaus, após depoimento à Polícia Federal e exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal. Os mandados de busca e apreensão ainda estão sendo executados. Segundo o delegado, o governador Wilson Lima também é foco de investigação.
