A Casa Cultural Ayédùn, braço artístico da Ilé Asé Ayédùn — casa de axé de culto tradicional Yorùbá — foi certificada pelo Ministério da Cultura (MinC) como Ponto de Cultura. O reconhecimento é concedido a iniciativas da sociedade civil que desenvolvem ações culturais permanentes. Essas ações também precisam gerar impacto em seus territórios. Assim, a certificação integra a instituição à Política Nacional Cultura Viva. O título também reconhece a trajetória da Casa na promoção da arte, da educação e da valorização das identidades culturais. Além disso, destaca seu trabalho no fortalecimento das comunidades por meio da cultura.
Além disso, o reconhecimento amplia as possibilidades de articulação institucional da Casa Cultural Ayédùn. A certificação permite a participação em editais públicos e fortalece parcerias. Também integra a instituição a uma rede nacional com mais de seis mil Pontos de Cultura. Atualmente, o Amazonas conta com mais de 180 iniciativas certificadas. Essa rede atua na democratização do acesso à cultura. Também fortalece as expressões culturais locais.
Atuação permanente
Ao longo de sua trajetória, a Casa Cultural Ayédùn consolidou uma programação permanente. As ações são voltadas à formação artística, à produção cultural, à economia criativa e ao fortalecimento comunitário. Nesse sentido, os projetos dialogam com diferentes linguagens e públicos. Também valorizam a cultura amazônica, afro-brasileira e os saberes tradicionais. Além disso, incentivam a ocupação cultural dos territórios.
Entre essas iniciativas, destaca-se o Encruzilhada Bar. O espaço sociocultural fica no Centro de Manaus. O local reúne música, gastronomia, artes visuais, feiras criativas, rodas de conversa e apresentações artísticas. Dessa forma, consolidou-se como um importante ponto de encontro para artistas, produtores culturais e o público da capital.
Além do Encruzilhada Bar, a instituição realiza o Festival de Artes Integradas Ayédùn. O evento promove o intercâmbio entre artistas amazônicos e nomes de destaque da cena cultural brasileira. Também desenvolve o projeto Colorindo Flores. A iniciativa oferece oficinas de desenho e pintura com pigmentos naturais para crianças e adultos.
Da mesma forma, a programação inclui o Festival de Primavera. O evento reúne atividades culturais, recreativas e ações solidárias voltadas às famílias. Além disso, a Casa promove a Festa da Cigana Sol. O encontro reúne arte, música, gastronomia e referências da cultura Tuareg. Por fim, realiza a exposição Eleri-Ipin: A Testemunha do Destino. A mostra celebra o Dia da Consciência Negra e valoriza a ancestralidade e o Culto Tradicional Yorùbá.
Além dessas iniciativas, a Casa Cultural Ayédùn mantém uma agenda permanente de oficinas, apresentações musicais, feiras culturais e encontros formativos. Também desenvolve ações comunitárias ao longo do ano. Com isso, consolida-se como um espaço de produção artística, formação cidadã e fortalecimento da diversidade cultural em Manaus.
Reconhecimento coletivo
Para Ayédùn, presidente da Casa Cultural, a certificação representa o reconhecimento de um trabalho construído coletivamente. Além disso, reafirma o papel da cultura como instrumento de transformação social.
“A Casa Cultural Ayédùn nunca foi apenas um espaço físico. Ela é um lugar de movimento, de encontros, de realizações, de arte, de formação, de voz, de posicionamento político e de transformação de vidas. Cada projeto que desenvolvemos nasce do compromisso com a comunidade e da certeza de que a cultura é capaz de fortalecer identidades, criar oportunidades e construir novos caminhos. Receber essa certificação do Ministério da Cultura é reconhecer esse trabalho coletivo e nos fortalece para continuar ampliando o acesso à cultura e produzindo impacto social por meio da arte”, destacou a presidente.
Cultura Viva
Criada em 2004, a Política Nacional Cultura Viva reconhece iniciativas culturais desenvolvidas pela sociedade civil em diferentes territórios do país. Em vez de criar novos equipamentos culturais, a política fortalece iniciativas já existentes. Ela identifica e certifica grupos e instituições que mantêm atuação contínua em suas comunidades. Ao mesmo tempo, respeita a autonomia dessas organizações. Também incentiva a construção de redes colaborativas em todo o Brasil.
