A convenção nacional do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, foi marcada por discursos em defesa da união do campo da direita. O evento, realizado no último sábado (25), no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo, reuniu lideranças políticas que reforçaram o apoio ao senador e defenderam a consolidação de uma candidatura única do grupo nas eleições de 2026.
Entre os participantes estavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), e o deputado estadual André do Prado (PL), candidato ao Senado. Durante os pronunciamentos, eles destacaram a necessidade de fortalecer a direita nas urnas e ampliar a presença do grupo em cargos eletivos pelo país.
Além disso, Ricardo Nunes e André do Prado fizeram críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ressaltaram a importância de conquistar maioria no Senado nas próximas eleições.
O apelo por unidade ocorre em meio à disputa pela liderança do eleitorado de direita. Além de Flávio Bolsonaro, também disputam a Presidência Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) siga à frente nas pesquisas de intenção de voto, os demais candidatos da direita vêm registrando crescimento nos levantamentos recentes.
Segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada na segunda-feira (27), Lula aparece com 42% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro soma 33%. Ronaldo Caiado registra 6%, Renan Santos 5% e Romeu Zema 3%. Em comparação ao levantamento anterior, Caiado ampliou seu desempenho, enquanto Flávio apresentou leve recuo.
O estudo também aponta que Caiado aparece em empate técnico com Lula em um eventual segundo turno. Nesse cenário, o presidente tem 45% das intenções de voto, contra 43% do ex-governador de Goiás. Brancos, nulos e eleitores que não escolheriam nenhum candidato somam 10%, enquanto 2% não souberam responder.
Já a pesquisa Datafolha, divulgada em 24 de julho, mostrou Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 32%. Em seguida, Caiado aparece com 4%, Romeu Zema com 3% e Renan Santos também com 3% no primeiro turno.
Discursos em defesa da unidade
Durante a convenção, Ricardo Nunes afirmou que a candidatura de Flávio Bolsonaro representa um momento decisivo para a direita e pediu que o grupo deixe de lado disputas internas.
“A gente tem tudo para ganhar essa eleição. Precisamos de união, o time é esse, está montado. A gente unido, sem errar, todo mundo caminhando para a mesma direção”, afirmou o prefeito de São Paulo.
Também presente ao evento, o presidente da Argentina, Javier Milei, fez críticas ao governo Lula, associou governos de esquerda ao socialismo e declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. Durante seu discurso, também direcionou críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Apesar das manifestações de apoio, Flávio Bolsonaro ainda busca ampliar sua base política. Até o momento, PP, Republicanos e União Brasil sinalizaram neutralidade na disputa presidencial, e o senador segue sem anunciar um candidato a vice ou formalizar alianças partidárias nacionais.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não participou presencialmente da convenção, mas enviou uma mensagem em vídeo exibida aos participantes.
Disputa pelo eleitorado da direita
Enquanto o PL tenta consolidar a candidatura de Flávio Bolsonaro, outros nomes da direita mantêm suas campanhas e intensificam as críticas ao senador.
Durante a convenção que oficializou sua candidatura pelo PSD, Ronaldo Caiado afirmou que Flávio será um dos principais alvos de sua campanha. Todavia, isso ocorrerá somente se ambos avançarem para um eventual segundo turno. Sem citar diretamente o senador em alguns momentos, Caiado criticou políticos que, segundo ele, precisam dedicar tempo para responder a investigações em vez de governar.
Em outra declaração, o ex-governador de Goiás comparou o adversário a um “Kinder Ovo”, ao afirmar que surgem novas polêmicas envolvendo seu nome com frequência.
Já Romeu Zema, oficializado candidato pelo Novo, evitou críticas diretas durante sua convenção, embora tenha descartado anteriormente a possibilidade de compor uma chapa como vice de Flávio Bolsonaro. Com isso, o ex-governador mineiro permanece na disputa pelo mesmo segmento do eleitorado conservador.
