O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e o jornalista Paulo Figueiredo se reuniram nesta quarta-feira (16) com integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos, em Washington. Durante o encontro, os dois defenderam a aplicação de sanções americanas contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes.
A reunião ocorreu um dia após o STF realizar uma sessão extraordinária para discutir questões relacionadas a uma investigação sobre Alexandre de Moraes no caso envolvendo o Banco Master. A análise teve interrupção após um pedido de vista apresentado pelo ministro Flávio Dino.
Pedido envolve Lei Magnitsky
Em entrevista à CNN Brasil, Paulo Figueiredo afirmou que ele e Eduardo Bolsonaro defenderam a retomada das sanções contra Moraes com base na Lei Global Magnitsky. Segundo Figueiredo, o ministro deveria voltar à lista de pessoas sancionadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC). O órgão está ligado ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
A inclusão de Moraes ocorreu anteriormente na lista de sanções dos Estados Unidos. Todavia, o governo americano retirou a designação pouco tempo depois.
Em relação a Flávio Dino e Gilmar Mendes, Figueiredo afirmou que os dois ministros deveriam ser incluídos em eventuais medidas. O motivo se deve, segundo a avaliação apresentada na reunião, ao apoio a Moraes.
As declarações representam a posição de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo durante a reunião. Não significam, por si só, que o governo dos Estados Unidos tenha decidido aplicar novas sanções aos ministros.
Encontro ocorreu após sessão do STF
A reunião em Washington aconteceu no contexto de uma disputa envolvendo ministros do Supremo e a apuração relacionada ao Banco Master.
Na sessão de terça-feira (15), os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin defenderam a análise conjunta dos casos envolvendo Moraes e André Mendonça. Já Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram pela separação das análises.
Flávio Dino pediu mais tempo para analisar o caso, suspendendo temporariamente a decisão sobre a abertura de uma investigação relacionada a Moraes.
Crise institucional
De acordo com Figueiredo, a reunião com representantes do governo americano também tratou da crise institucional brasileira e do combate ao crime organizado.
O jornalista ainda comentou declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a atuação do governo brasileiro no enfrentamento ao tráfico de drogas e a grupos criminosos.
Ao falar sobre os próximos desdobramentos, Figueiredo afirmou estar otimista com possíveis novas medidas dos Estados Unidos. A declaração, no entanto, expressa a expectativa do jornalista e não representa uma confirmação de que novas sanções serão adotadas pelo governo americano.
