O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que os sinais de formação de um novo episódio de El Niño estão se fortalecendo no Oceano Pacífico. De acordo com o órgão, a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, principal área de monitoramento do fenômeno climático, apresentou aumento significativo nas últimas semanas.
Segundo o comunicado divulgado pelo instituto, a anomalia da temperatura passou de valores próximos da neutralidade para 0,49°C acima da média durante o mês de maio, alcançando 0,7°C na primeira semana de junho.
“Isso aponta para condições altamente favoráveis à formação e consolidação de um episódio de El Niño nos próximos meses”, destacou o Inmet.
O órgão informou ainda que deverá divulgar uma nova nota técnica nos próximos dias com informações atualizadas sobre a evolução do fenômeno e seus possíveis impactos.
NOAA também prevê avanço do El Niño
A avaliação do Inmet está alinhada às projeções da National Oceanic and Atmospheric Administration, agência norte-americana considerada referência mundial em monitoramento climático.
Em atualização recente, o Centro de Previsão Climática (CPC) da NOAA estimou em 82% a probabilidade de o El Niño se estabelecer entre maio e julho de 2026. A projeção sobe para 96% de chance de permanência do fenômeno até o trimestre entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.
Os dados mais recentes mostram aquecimento em todas as áreas monitoradas do Pacífico Equatorial. Na região Niño 3.4, a anomalia chegou a 0,7°C, enquanto a região Niño 3 registrou 1°C acima da média. Já a região Niño 1+2, próxima à costa da América do Sul, apresentou aquecimento de 2,1°C.
O que é o El Niño?
O El Niño é uma das fases do fenômeno climático conhecido como ENOS (El Niño-Oscilação Sul). Ele ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam pelo menos 0,5°C mais quentes que a média histórica.
O fenômeno influencia diretamente os padrões climáticos em várias partes do planeta, alterando a circulação atmosférica e afetando regimes de chuva e temperatura.
No Brasil, os efeitos costumam variar conforme a região. Historicamente, o Sul registra aumento das chuvas, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.
Impactos podem ser mais intensos
Especialistas alertam que, em um cenário de aquecimento global, até episódios classificados como moderados podem provocar impactos significativos, aumentando o risco de eventos extremos, como secas prolongadas, enchentes e ondas de calor.
Nas últimas duas décadas, episódios importantes de El Niño foram registrados em 2006-2007, 2009-2010, 2014-2016, 2018-2019 e 2023-2024. Os eventos mais recentes estiveram associados a recordes globais de temperatura e a fenômenos climáticos extremos em diversas regiões do mundo.

