O governo dos Estados Unidos trava uma disputa judicial para impedir o leilão de mais de 100 artefatos recuperados dos destroços do Titanic. O naufrágio, ocorrido em 1912, se tornou um dos mais famosos da história mundial. A ação envolve a RMS Titanic Inc., empresa que possui os direitos exclusivos de exploração dos remanescentes da embarcação.
Segundo documentos judiciais obtidos pela Associated Press, os itens incluem pertences pessoais de passageiros, moedas, objetos de decoração, utensílios de cozinha e outros artefatos que expedições recuperaram ao longo das últimas décadas.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) conduz a contestação. O órgão representa os interesses norte-americanos na preservação do local onde o navio afundou.
Governo alega violação de acordos
As autoridades norte-americanas argumentam que a RMS Titanic Inc. violaria compromissos firmados anteriormente caso vendesse os objetos. Segundo o governo, a empresa havia concordado em preservar e exibir os artefatos exclusivamente em museus e exposições públicas.
De acordo com a NOAA, o sítio arqueológico do Titanic possui grande relevância histórica e memorial, já que mais de 1.500 pessoas morreram no desastre durante a viagem inaugural do navio entre a Europa e Nova York.
A empresa, porém, discorda dessa interpretação. Os advogados da RMS Titanic Inc. afirmam que o leilão não infringe decisões judiciais nem acordos firmados anteriormente sobre a guarda dos itens.
Desde 1987, a RMS Titanic Inc. realiza expedições autorizadas e já recuperou milhares de peças dos destroços localizados no fundo do Oceano Atlântico Norte. O acervo reúne malas, joias, louças, relógios, documentos e partes da estrutura original do navio.
A empresa utiliza grande parte dessas peças em exposições itinerantes pelo mundo. A atividade se tornou uma importante fonte de receita para financiar novas expedições e projetos de preservação.
Ao longo dos anos, autoridades, entidades de preservação histórica e familiares das vítimas do naufrágio se opuseram a diferentes tentativas de comercialização desses artefatos.
Fascínio pelo Titanic
Embora existam restrições para itens retirados diretamente dos destroços, o comércio legal de objetos relacionados ao Titanic continua permitido.
O interesse por peças ligadas ao navio permanece elevado mais de um século após a tragédia. Em abril deste ano, um colete salva-vidas usado por um passageiro foi vendido por mais de US$ 900 mil. Já um relógio de bolso de ouro oferecido ao capitão responsável pelo resgate dos sobreviventes alcançou quase US$ 2 milhões em um leilão realizado em 2024.
Especialistas apontam que a combinação de raridade, valor histórico e fascínio mundial pela história do Titanic faz esses objetos alcançarem cifras milionárias.
A Justiça norte-americana ainda analisa o caso. A decisão definirá se os artefatos poderão seguir para leilão ou se continuarão sob as restrições de preservação estabelecidas anteriormente.
