O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) acusou, nesta segunda-feira (7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, os dois formam um “consórcio” para perseguir adversários políticos.
A declaração ocorreu durante o ato realizado na Avenida Paulista, em São Paulo, no feriado de 7 de Setembro. A manifestação aconteceu aos motes de “Fora Lula, Fora Moraes”, “É agora ou nunca” e “O Brasil vai vencer”.
Durante o discurso, Flávio atacou Moraes novamente e afirmou que o STF precisa de preservação diante da atuação do ministro. O candidato também declarou que, caso seja eleito, impedirá novas indicações de Lula para a Corte.
“Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes”, afirmou.
Flávio também criticou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a Polícia Federal, acusando o governo federal de utilizar instituições para perseguir adversários. As afirmações fazem parte do discurso político do candidato e não constituem, por si só, comprovação das acusações.
O senador ainda defendeu o legado político do pai, Jair Bolsonaro, e relembrou o atentado sofrido pelo ex-presidente durante a campanha eleitoral de 2018.
Lideranças sobem ao palanque
O ato reuniu diversas lideranças da direita. Entre os presentes estavam o governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito Ricardo Nunes (MDB), o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, o senador Sérgio Moro e deputados como Bia Kicis, Guilherme Derrite, Nikolas Ferreira, Gustavo Gayer e Alfredo Gaspar.
Michelle Bolsonaro não participou da manifestação. Segundo Bia Kicis, a ex-primeira-dama permaneceu cuidando de Jair Bolsonaro.
Antes do início dos discursos, apoiadores já ocupavam a Avenida Paulista, apesar do frio e da garoa. A multidão levou bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos, além de cartazes com críticas a Lula, Moraes e ao STF.
Bia Kicis pediu o impeachment de Moraes, enquanto Ricardo Nunes também criticou o Supremo. Valdemar Costa Neto defendeu Jair Bolsonaro e afirmou que o ex-presidente ganhará liberdade caso Flávio vire presidente.
O pastor Silas Malafaia chamou Moraes de “ditador” e pediu a saída do ministro, de Lula e do PT. Ao mesmo tempo, afirmou defender instituições fortes e pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que afastasse Moraes.
Tarcísio de Freitas adotou tom semelhante ao cobrar uma resposta institucional do Supremo diante das recentes revelações envolvendo Moraes. “Ministro nenhum está acima da Constituição”, afirmou o governador.
Nikolas Ferreira também pediu o impeachment de Moraes e anunciou uma manifestação em Macapá, no próximo domingo (13), em frente à residência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Crise no STF
A manifestação ocorre em meio à crise envolvendo o STF após a divulgação de mensagens entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O conteúdo tornou-se público após ordem do ministro André Mendonça, relator do caso.
Segundo informações divulgadas sobre o relatório da Polícia Federal, Vorcaro teria pedido a Moraes que atuasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, em relação às investigações envolvendo o banco. As respostas de Moraes não foram recuperadas pela PF porque as mensagens estavam em formato de visualização única.
Após a divulgação do material, Moraes pediu a investigação de Mendonça por suspeitas de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.
Diante do impasse, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou que Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei Rodrigues prestassem esclarecimentos. Fachin também retirou o pedido de investigação contra Mendonça do inquérito das fake news. Ele determinou a análise do caso em procedimento específico.
O episódio ampliou a tensão interna na Corte e passou a ser explorado politicamente durante as manifestações do 7 de Setembro.
