O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), bloqueou Nunes Marques no WhatsApp após uma discussão entre os dois magistrados nos bastidores da Corte, em meio às repercussões do caso envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles e confirmadas pela CNN, o desentendimento começou depois que Gilmar identificou o que considerou um movimento articulado entre ministros do STF. A tensão aumentou após mensagens encontradas no celular de Vorcaro fazerem referências a familiares dos dois magistrados.
Durante a troca de mensagens, Gilmar questionou a permanência de Nunes Marques e do ministro Luiz Fux em julgamentos relacionados ao caso e cobrou transparência sobre as contas bancárias do colega.
“Assumam que estão ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”, escreveu Gilmar.
Nunes Marques respondeu pedindo respeito e afirmou que aquele não seria um comportamento adequado entre ministros do Supremo.
“Então não me tecle pois não falo com quem não me respeita”, respondeu Nunes Marques.
Na sequência, Gilmar voltou a cobrar que Nunes Marques apresentasse informações financeiras antes de participar de julgamentos relacionados ao Banco Master na Segunda Turma do STF. O ministro respondeu que não teria problemas em fornecer os dados e afirmou prestar contas há 15 anos.
“Abro com o maior prazer. Há 15 anos que presto contas de tudo. Como juiz”, afirmou.
Mensagens de Vorcaro citam filho de Nunes Marques
A discussão ocorreu paralelamente à sessão do STF que analisa o prosseguimento de uma investigação relacionada ao ministro Alexandre de Moraes.
Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro também mencionam supostos pagamentos destinados a Kevin Marques, filho de Nunes Marques. Segundo informações divulgadas pela CNN, Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, teria citado pagamentos mensais de R$ 500 mil.
O conteúdo extraído do celular de Vorcaro foi disponibilizado aos gabinetes de Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.
Nunes Marques negou que o filho tenha prestado serviços ao Banco Master e afirmou durante a sessão do STF que nunca trocou mensagens com Vorcaro.
Na terça-feira (15), Nunes Marques também se declarou impedido de participar da análise do episódio. Segundo ele, a decisão teve o objetivo de evitar eventual contaminação política do caso, considerando sua posição como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O episódio ocorre em meio à discussão no STF sobre o acesso às mensagens de Vorcaro, a validade dos elementos obtidos pela Polícia Federal e a condução das investigações relacionadas ao Banco Master.
