O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, que garanta aos ministros acesso integral aos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Antes disso, o ministro Cristiano Zanin já havia feito pedido semelhante. Agora, Gilmar reforçou a solicitação diante do julgamento previsto para terça-feira (15).
Além disso, o decano defendeu uma alternativa caso o relator do caso, André Mendonça, não disponibilize os arquivos aos demais ministros.
Nesse caso, Gilmar pediu que a própria Polícia Federal (PF) forneça cópias completas do material aos gabinetes dos integrantes do colegiado.
Gilmar defende acesso igualitário aos dados
O pedido envolve a mídia extraída do celular de Daniel Vorcaro. Atualmente, a Polícia Federal mantém o material sob custódia para preservar a cadeia de provas.
Segundo Gilmar Mendes, todos os ministros que participarão da análise precisam consultar o mesmo conjunto de informações. Para ele, o acesso restrito a uma cópia disponível apenas no gabinete de Mendonça pode comprometer a igualdade entre os integrantes do tribunal.
Além disso, o ministro afirmou que cada integrante do STF precisa conhecer todos os elementos relevantes antes de formar sua convicção jurídica.
Dessa maneira, Gilmar entende que o acesso completo evitará decisões baseadas apenas em sínteses ou recortes do conteúdo encontrado no aparelho.
Relatório da PF cita conversas com Moraes
O julgamento envolve um relatório elaborado pela Polícia Federal a partir dos dados extraídos do celular de Vorcaro.
De acordo com o documento, a PF identificou mensagens atribuídas a conversas entre o ex-banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes.
Por isso, o STF deverá analisar a validade do relatório e questões relacionadas a uma possível investigação envolvendo Moraes no caso Banco Master.
Nesse contexto, a discussão sobre o acesso aos arquivos ganhou ainda mais importância antes da sessão marcada para terça-feira.
Mendonça explica situação da cópia
André Mendonça afirmou a Cristiano Zanin que não possui o aparelho físico original. Segundo o relator, a Polícia Federal mantém o celular armazenado.
Além disso, Mendonça informou que recebeu da PF, em março de 2026, uma cópia de segurança armazenada em um disco rígido criptografado. Atualmente, o dispositivo permanece lacrado.
Da mesma forma, o ministro declarou que nunca manuseou o material. Segundo ele, a PF preservou a cópia como uma espécie de contraprova, caso os arquivos originais sejam perdidos.
Por outro lado, Mendonça apresentou outra justificativa para não liberar todo o conteúdo. De acordo com o relator, a divulgação integral dos dados pode prejudicar investigações que ainda estão em andamento.
Nesse sentido, ele apontou riscos ao sigilo e à eficiência das apurações.
Relator contesta desigualdade no acesso
Mendonça rejeitou a ideia de que exista desigualdade entre os ministros no acesso às informações.
Segundo o relator, ele não possui elementos que estejam fora do conteúdo formalmente incorporado ao processo.
Além disso, Mendonça explicou que a defesa de Daniel Vorcaro teve acesso à íntegra dos dados. De acordo com ele, os advogados recebem o material após a conclusão da extração das informações.
Moraes critica condução do caso
Alexandre de Moraes também entrou na discussão sobre a condução do processo.
Na avaliação do ministro, Mendonça realizou um levantamento “seletivo e direcionado” do sigilo. Além disso, Moraes afirmou que a medida poderia proteger “determinado grupo político”.
Ao mesmo tempo, o ministro defendeu que o relator não deve escolher quais documentos ficam disponíveis aos demais integrantes do colegiado.
Com isso, as manifestações ampliaram a disputa interna no STF sobre o acesso às informações obtidas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro.
Gilmar quer reunir processos relacionados
Na sexta-feira (11), Gilmar Mendes enviou outro ofício a Edson Fachin. Dessa vez, o ministro pediu que o presidente do STF assuma a condução dos processos relacionados ao caso.
Além disso, Gilmar quer que as questões envolvendo a atuação de André Mendonça entrem na análise do julgamento de terça-feira.
O decano afirmou ter “sérias dúvidas” sobre a preparação do processo para chegar ao Plenário. Segundo ele, o STF ainda precisa esclarecer pontos importantes da investigação.
Entre essas questões, estão a natureza do procedimento, as pessoas investigadas, o objeto da apuração e o tema que os ministros deverão analisar.
Da mesma forma, Gilmar defendeu a reunião de processos que tratem dos mesmos fatos e provas.
Na avaliação do ministro, a tramitação separada pode gerar decisões contraditórias e, consequentemente, dificultar a análise do caso pelo colegiado.
STF pode analisar relatório da PF na terça
Se o julgamento ocorrer conforme previsto, Gilmar sugeriu que Fachin apresente inicialmente uma visão geral dos fatos ao Plenário.
Em seguida, o ministro defendeu a análise das questões preliminares antes da discussão do mérito.
Entre esses pontos, está um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para declarar nulo o relatório da Polícia Federal elaborado a partir do celular de Daniel Vorcaro.
Dessa forma, o acesso integral aos dados do aparelho se tornou um dos principais pontos de disputa antes do julgamento.
Por fim, na terça-feira (15), o STF deverá analisar as questões relacionadas ao relatório da PF e a eventual investigação envolvendo Alexandre de Moraes no caso Banco Master.
