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12 de setembro de 2026
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Gilmar Mendes pede acesso integral a dados do celular de Vorcaro antes de julgamento no STF

Gilmar Mendes pede acesso integral aos dados do celular de Daniel Vorcaro antes do julgamento do STF sobre o caso Banco Master.

© Antônio Augusto/STF

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, que garanta aos ministros acesso integral aos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Antes disso, o ministro Cristiano Zanin já havia feito pedido semelhante. Agora, Gilmar reforçou a solicitação diante do julgamento previsto para terça-feira (15).

Além disso, o decano defendeu uma alternativa caso o relator do caso, André Mendonça, não disponibilize os arquivos aos demais ministros.

Nesse caso, Gilmar pediu que a própria Polícia Federal (PF) forneça cópias completas do material aos gabinetes dos integrantes do colegiado.

Gilmar defende acesso igualitário aos dados

O pedido envolve a mídia extraída do celular de Daniel Vorcaro. Atualmente, a Polícia Federal mantém o material sob custódia para preservar a cadeia de provas.

Segundo Gilmar Mendes, todos os ministros que participarão da análise precisam consultar o mesmo conjunto de informações. Para ele, o acesso restrito a uma cópia disponível apenas no gabinete de Mendonça pode comprometer a igualdade entre os integrantes do tribunal.

Além disso, o ministro afirmou que cada integrante do STF precisa conhecer todos os elementos relevantes antes de formar sua convicção jurídica.

Dessa maneira, Gilmar entende que o acesso completo evitará decisões baseadas apenas em sínteses ou recortes do conteúdo encontrado no aparelho.

Relatório da PF cita conversas com Moraes

O julgamento envolve um relatório elaborado pela Polícia Federal a partir dos dados extraídos do celular de Vorcaro.

De acordo com o documento, a PF identificou mensagens atribuídas a conversas entre o ex-banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes.

Por isso, o STF deverá analisar a validade do relatório e questões relacionadas a uma possível investigação envolvendo Moraes no caso Banco Master.

Nesse contexto, a discussão sobre o acesso aos arquivos ganhou ainda mais importância antes da sessão marcada para terça-feira.

Mendonça explica situação da cópia

André Mendonça afirmou a Cristiano Zanin que não possui o aparelho físico original. Segundo o relator, a Polícia Federal mantém o celular armazenado.

Além disso, Mendonça informou que recebeu da PF, em março de 2026, uma cópia de segurança armazenada em um disco rígido criptografado. Atualmente, o dispositivo permanece lacrado.

Da mesma forma, o ministro declarou que nunca manuseou o material. Segundo ele, a PF preservou a cópia como uma espécie de contraprova, caso os arquivos originais sejam perdidos.

Por outro lado, Mendonça apresentou outra justificativa para não liberar todo o conteúdo. De acordo com o relator, a divulgação integral dos dados pode prejudicar investigações que ainda estão em andamento.

Nesse sentido, ele apontou riscos ao sigilo e à eficiência das apurações.

Relator contesta desigualdade no acesso

Mendonça rejeitou a ideia de que exista desigualdade entre os ministros no acesso às informações.

Segundo o relator, ele não possui elementos que estejam fora do conteúdo formalmente incorporado ao processo.

Além disso, Mendonça explicou que a defesa de Daniel Vorcaro teve acesso à íntegra dos dados. De acordo com ele, os advogados recebem o material após a conclusão da extração das informações.

Moraes critica condução do caso

Alexandre de Moraes também entrou na discussão sobre a condução do processo.

Na avaliação do ministro, Mendonça realizou um levantamento “seletivo e direcionado” do sigilo. Além disso, Moraes afirmou que a medida poderia proteger “determinado grupo político”.

Ao mesmo tempo, o ministro defendeu que o relator não deve escolher quais documentos ficam disponíveis aos demais integrantes do colegiado.

Com isso, as manifestações ampliaram a disputa interna no STF sobre o acesso às informações obtidas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro.

Gilmar quer reunir processos relacionados

Na sexta-feira (11), Gilmar Mendes enviou outro ofício a Edson Fachin. Dessa vez, o ministro pediu que o presidente do STF assuma a condução dos processos relacionados ao caso.

Além disso, Gilmar quer que as questões envolvendo a atuação de André Mendonça entrem na análise do julgamento de terça-feira.

O decano afirmou ter “sérias dúvidas” sobre a preparação do processo para chegar ao Plenário. Segundo ele, o STF ainda precisa esclarecer pontos importantes da investigação.

Entre essas questões, estão a natureza do procedimento, as pessoas investigadas, o objeto da apuração e o tema que os ministros deverão analisar.

Da mesma forma, Gilmar defendeu a reunião de processos que tratem dos mesmos fatos e provas.

Na avaliação do ministro, a tramitação separada pode gerar decisões contraditórias e, consequentemente, dificultar a análise do caso pelo colegiado.

STF pode analisar relatório da PF na terça

Se o julgamento ocorrer conforme previsto, Gilmar sugeriu que Fachin apresente inicialmente uma visão geral dos fatos ao Plenário.

Em seguida, o ministro defendeu a análise das questões preliminares antes da discussão do mérito.

Entre esses pontos, está um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para declarar nulo o relatório da Polícia Federal elaborado a partir do celular de Daniel Vorcaro.

Dessa forma, o acesso integral aos dados do aparelho se tornou um dos principais pontos de disputa antes do julgamento.

Por fim, na terça-feira (15), o STF deverá analisar as questões relacionadas ao relatório da PF e a eventual investigação envolvendo Alexandre de Moraes no caso Banco Master.

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