O Ibovespa renovou sua máxima histórica nesta terça-feira (20) e encerrou o pregão acima dos 166 mil pontos pela primeira vez, impulsionado principalmente pelas ações da Vale, Petrobras e dos grandes bancos. O movimento ocorreu na contramão das principais bolsas internacionais, pressionadas por tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos e a Europa.
Após iniciar o dia em leve queda, o principal índice da bolsa brasileira mudou de direção no fim da manhã e acelerou os ganhos ao longo da tarde. No pico do dia, o Ibovespa chegou a 166.467,56 pontos e fechou em alta de 0,87%, aos 166.276,90 pontos.
Enquanto o mercado doméstico avançava, o cenário externo era marcado por aversão ao risco. Novas ameaças de tarifas comerciais feitas por Donald Trump impactaram negativamente os mercados globais. Além disso, tensões com países europeus envolvendo o controle da Groenlândia contribuíram para o cenário.
No Brasil, esse ambiente internacional contribuiu para a valorização do dólar frente ao real. A moeda norte-americana encerrou o dia com alta de 0,29%, cotada a R$ 5,3802. Apesar disso, no acumulado do ano, o dólar ainda registra queda de 1,98%.
A abertura das bolsas de Nova York reforçou o movimento observado no Brasil. As incertezas em torno da política externa dos Estados Unidos e dúvidas sobre o comando do Federal Reserve pressionaram Wall Street, mas estimularam a migração de recursos para mercados emergentes.
Segundo o economista Rodrigo Marcatti, da Veedha Investimentos, o avanço do Ibovespa reflete a saída de capital dos Estados Unidos diante do cenário geopolítico instável. “A venda de títulos do Tesouro americano aumenta a liquidez, e parte desses recursos tem migrado para países emergentes, com o Brasil se destacando nesse fluxo”, avaliou.
Na mesma linha, o analista Felipe Cima, da Manchester Investimentos, aponta que o mercado brasileiro se beneficia por ainda apresentar ativos considerados baratos. Para ele, a bolsa nacional segue “bastante depreciada”, o que aumenta sua atratividade para investidores estrangeiros.
