Johnson & Johnson diz que sua vacina anticovid tem eficácia geral de 66%
A vacina da Johnson & Johnson contra a covid-19 tem uma eficácia geral de 66%, embora menor na África do Sul, país onde uma variante mais contagiosa do coronavírus está se espalhando, informou o laboratório farmacêutico americano nesta sexta-feira (29).
O grupo se comprometeu a enviar 100 milhões de doses para os Estados Unidos até o final de junho, cerca de 200 milhões de doses para a União Europeia antes do final do ano, com os primeiros envios em abril, e outros 200 milhões para países em desenvolvimento, começando em junho.
O regulador europeu de medicamentos anunciou que prevê um pedido de autorização para esta vacina “em breve”.
Ao contrário das vacinas da Pfizer e Moderna, que usam a inovadora técnica do RNA mensageiro, a vacina da “J&J” é um imunizante de “vetor viral”.
Essas vacinas usam como suporte outro vírus pouco agressivo, modificado para acrescentar uma parte do responsável da covid-19. O vírus alterado penetra nas células das pessoas vacinadas, que então fabricam uma proteína típica do SARS-CoV-2 que educará seu sistema imunológico a reconhecê-lo. É um processo parecido ao das vacinas da AstraZeneca e Sputnik.
A vacina da Johnson & Johnson apresenta uma grande vantagem: pode ser armazenada em temperaturas normais de geladeira, em vez de freezers, facilitando a distribuição.
Variantes da covid-19
Por outro lado, traz também um motivo de preocupação: sua eficácia contra a covid-19 variou de 72% nos Estados Unidos para 57% na África do Sul, onde uma variante da covid-19 suspeita de ser muito contagiosa se tornou majoritária.
Várias mutações da covid-19 foram observadas desde seu surgimento, a grande maioria sem consequências. Algumas podem, entretanto, conceder vantagens para a sobrevivência do vírus, como uma maior capacidade de transmissão.
Esse é o caso da mutação conhecida como britânica, enquanto os cientistas suspeitam que as variantes sul-africana e brasileira são igualmente suscetíveis de serem mais contagiosas.
Johnson & Johnson deve solicitar a autorização de distribuição de emergência nos Estados Unidos a partir da próxima semana, o que a tornaria a terceira vacina em circulação no país, que tem o maior número de mortos pela pandemia. As outras duas vacinas são dos laboratórios Moderna e Pfizer/BioNTech.
Os laboratórios responsáveis por esta última anunciaram na quinta-feira que seu produto conserva grande parte de sua eficácia contra as principais mutações da variante inglesa e sul-africana do coronavírus.
A empresa de biotecnologia americana Moderna indicou, por outro lado, que sua vacina é eficaz contra a variante britânica, mas que foi observada uma redução na proteção contra a sul-africana.
A soma potencial de uma terceira chega em um momento em que os Estados Unidos tentam acelerar seu ritmo de imunização para atingir a meta do novo presidente, Joe Biden, de 1,5 milhão de doses injetadas por dia.
