A jornalista Priscilla de Paula deixou a TV Alterosa, afiliada do SBT em Belo Horizonte, após sete meses na emissora. Ela apresentava telejornal e também realizava reportagens externas, mas decidiu deixar o trabalho diante do desgaste provocado pela rotina de cobertura de ocorrências policiais.
A decisão começou a amadurecer ainda no primeiro plantão externo, em janeiro. Na ocasião, Priscilla se deparou com um caso de violência e relatou ter vivido um conflito pessoal diante da situação.
“Um corpo esfaqueado. Eu entrei em luta espiritual. ‘Jesus, como assim?’”, afirmou.
A jornalista também revelou o incômodo com a necessidade de noticiar diariamente casos envolvendo crimes violentos. “Não aguento mais trabalhar falando de furto, roubo, feminicídio, homicídio, estupro, criança morta, enterro de adolescente, invasão de loja, mulher espancada…”, declarou.
Segundo Priscilla, a repetição desse tipo de pauta provocava “desgosto” e fez com que ela repensasse a permanência na televisão. Para ela, existe espaço reduzido nos telejornais para histórias consideradas positivas e capazes de inspirar o público.
“Gosto de contar história boa, que edifica. Talvez não tenha espaço para mim (na TV)”, afirmou.
A saída da jornalista também reacende uma discussão sobre o espaço ocupado pelo noticiário policial na televisão. Crimes, acidentes e outras ocorrências violentas costumam ter presença frequente nos telejornais locais, enquanto histórias positivas e pautas de serviço muitas vezes recebem menos destaque.
Antes de chegar à TV Alterosa, Priscilla de Paula passou pela CNN Brasil e pela Record. Após deixar a emissora mineira, a jornalista afirmou que, neste momento, não pretende retornar à televisão.
