A jovem Noelia emocionou ao relatar, em entrevista, o sofrimento físico e emocional que a levou a optar pela eutanásia. Segundo ela, a decisão veio após um longo período de dor, solidão e sensação de incompreensão.
Antes disso, Noelia contou que já se sentia sem rumo. “Eu via meu mundo muito escuro. Não tinha metas, objetivos, nada”, disse. Apesar de ainda encontrar algum alívio em atividades simples, como se maquiar ou cuidar das unhas, ela afirmou que esses momentos não eram suficientes para mudar seu estado emocional.
Com o passar do tempo, os sintomas se intensificaram. “Não tenho vontade de nada. Nem de sair, nem de comer… então, eu não como. Dormir também é muito difícil”, relatou, ao descrever a rotina marcada por dores físicas constantes e desânimo profundo.
A jovem ficou paraplégica após uma tentativa de suicídio em 2022, ocorrida depois de ter sido vítima de abuso sexual. Desde então, segundo ela, o sofrimento se agravou, tanto no aspecto físico quanto psicológico.
Ao falar sobre a decisão pela eutanásia, Noelia foi direta: “Eu vou poder descansar, porque não posso mais com essas dores”. O relato também expôs conflitos familiares, especialmente com o pai. Segundo a jovem, ele afirmou que não compareceria nem ao procedimento nem ao enterro, dizendo que, para ele, ela já estaria “morta”.
“Isso me machucou muito”, desabafou Noelia, ao relatar a distância emocional e a ausência de contato ao longo do tempo. Ela questionou a falta de apoio e disse não compreender a postura do pai diante da situação.
Mãe não concordou
Por outro lado, a mãe, Yolanda Ramos, afirmou não concordar com a decisão, mas garantiu que permaneceria ao lado da filha até o fim. Em um momento de dor, ela também desabafou e disse acreditar que a jovem “nasceu na família errada”.
O caso levanta reflexões sobre saúde mental, suporte familiar e os limites enfrentados por pessoas que convivem com dor crônica e traumas profundos.
