A demissão do juiz substituto Robson José dos Santos, confirmada pelo Tribunal de Justiça de Rondônia, encerra uma trajetória que começou marcada pela superação. Todavia, ela terminou sob o peso de uma sequência de comportamentos considerados incompatíveis com a magistratura.
O caso não se resume a um episódio isolado. Ao longo da apuração, surgiram relatos de tratamento desrespeitoso a servidores, decisões questionáveis e práticas administrativas irregulares, como o compartilhamento indevido de acesso institucional. Dentro do fórum, o ambiente teria se tornado tenso; fora dele, as acusações ganharam contornos ainda mais delicados, com aproximação indevida a detentos e atitudes que extrapolariam os limites da função.
Além disso, a condução de audiências e intervenções em unidades prisionais levantaram dúvidas sobre o respeito a princípios básicos do cargo. Diante desse conjunto, os desembargadores entenderam que havia um padrão de conduta incompatível com a função, especialmente em fase probatória.
Sem entrar em julgamentos simplistas, o episódio acaba reacendendo uma discussão recorrente: até que ponto a ascensão social e o acesso ao poder exigem, mais do que nunca, equilíbrio e responsabilidade? Em funções como a magistratura, não basta chegar — é preciso saber permanecer.

