A Justiça do Trabalho da Paraíba condenou o influenciador Hytalo Santos em dois processos movidos por ex-seguranças. As decisões do Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região (TRT-13) reconheceram episódios de assédio moral e, em um dos casos, também assédio sexual, além de condições consideradas degradantes no ambiente de trabalho.
As sentenças determinaram o pagamento de R$ 60 mil por danos morais, sendo R$ 30 mil para cada trabalhador. O marido de Hytalo, Israel Vicente, e empresas ligadas ao influenciador foram responsabilizados solidariamente pelos valores.
Os processos também reconheceram o vínculo empregatício. Sendo assim, houve a determinação do pagamento de direitos trabalhistas, como horas extras, adicional noturno, férias, 13º salário, aviso-prévio e FGTS com multa.
Toques indesejados
Um dos trabalhadores atuou para Hytalo entre fevereiro de 2023 e março de 2025. Segundo relatos apresentados no processo, uma testemunha afirmou ter presenciado toques físicos considerados indesejados, inclusive na nuca e na perna do funcionário enquanto ele dirigia.
A decisão apontou que o trabalhador buscava a companhia de outras pessoas para evitar ficar sozinho com o influenciador, situação considerada pelo tribunal como indicativo de constrangimento.
Os processos também mencionaram relatos sobre condições inadequadas no local de trabalho, incluindo a proibição de uso dos banheiros internos e a utilização de um sanitário externo considerado impróprio.
O que diz a defesa
As ações ainda envolvem alegações de exposição a atos sexuais, monitoramento por câmeras durante a troca de roupas e acesso ao celular de um dos funcionários, além de relatos de gritos e xingamentos.
Um dos seguranças, que recebia R$ 15 mil, teve reconhecido o adicional de periculosidade de 30%. Para o outro trabalhador, com salário fixado judicialmente em R$ 4,5 mil, a condenação trabalhista chegou a R$ 119.969.
Em nota, o advogado Julio Camargos afirmou que as decisões são de primeira instância, ainda estão sujeitas a recursos e não transitaram em julgado. A defesa de Hytalo nega as acusações e disse que sustentará a contestação das decisões nas instâncias superiores.
