8 de janeiro de 2026
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Mãe conivente com estupro da própria filha é presa após criança desenhar abuso

Padrasto da vítima é suspeito e a conivência da mãe foi comprovada por meio de conversa telefônica entre ela e o companheiro

FOTO: Erlon Rodrigues/PC-AM.

A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), prendeu, na segunda-feira (05), uma mulher de 37 anos. Ela é suspeita de crime de estupro de vulnerável por omissão imprópria contra a própria filha, de 8 anos. A prisão ocorreu no bairro Cidade Nova, zona norte de Manaus.

De acordo com a delegada Mayara Magna, as investigações começaram em dezembro de 2025, após a prisão do padrasto da criança, um motorista de aplicativo de 24 anos. Ele foi preso em menos de 24 horas após o registro da ocorrência.

“Na época o Conselho Tutelar foi acionado pela escola da vítima depois que a professora identificou sinais de ansiedade excessiva na criança. A menina demonstrava medo de retornar para casa e revelou, por meio de um desenho, que sofria abuso por parte do padrasto”, disse a delegada.

Conforme a delegada, diante da gravidade da situação, a Polícia Civil conseguiu, em menos de 24 horas, identificar e prender o padrasto da vítima. Em depoimento, a criança afirmou que tentou diversas vezes contar à mãe sobre os abusos, o que levou a equipe de investigação a suspeitar que a mulher tinha conhecimento dos crimes e, ainda assim, não tomou nenhuma providência para impedir ou evitar a violência.

“No momento da prisão do homem, apreendemos o celular do suspeito e solicitamos ao Poder Judiciário a quebra do sigilo dos dados, que deferiu. A partir da extração das informações, tivemos acesso a conversas de Whatsapp que deixaram evidente que a mãe da criança tinha conhecimento dos abusos e, ainda, tentou encobrir os fatos das autoridades”, contou a delegada.

Abusador queria se separar

De acordo com a delegada, nas mensagens analisadas, o homem relatava a intenção de se separar da mulher e fugir, enquanto a mãe da criança tentava impedir. As investigações também apontaram que ela induziu uma testemunha a mentir às autoridades, em uma tentativa de descredibilizar o relato da vítima, afirmando que a criança inventava histórias.

“Diante das provas reunidas, concluímos que a mãe tinha conhecimento dos abusos e não tomou nenhuma providência. Com base nisso, solicitamos à Justiça a prisão preventiva da mulher, e a cumprimos na data de ontem”, falou a delegada.

Segundo a delegada, os abusos iniciaram há cerca de cinco a seis meses antes do caso vir à tona, período em que a criança deixou a casa dos avós paternos e passou a morar com a mãe e o padrasto. A vítima relatou que o homem a levava para a sala da residência, onde cometia os abusos.

“A mulher tem outros dois filhos, sendo um deles fruto do relacionamento com o suspeito. Ela também está sendo investigada por abandono de incapaz com relação aos filhos. As duas crianças foram afastadas do convívio dos pais e estão sob os cuidados de parentes. A criança vítima dos abusos está atualmente com o pai biológico”, contou a delegada.

Procedimentos

A mulher responderá pelo crime de estupro de vulnerável na modalidade de omissão imprópria e ficará à disposição da Justiça.

 

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