31 de outubro de 2026
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Mauro Vieira diz que EUA impuseram tarifa porque Brasil “não se curvou” às exigências de Trump

Marcelo Camargo/Agência Brasil || Fonte: Agência Senado

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (16) que os Estados Unidos decidiram impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros porque o Brasil rejeitou as exigências apresentadas pelo governo do presidente Donald Trump durante as negociações entre os dois países.

Em declaração no Palácio do Itamaraty, Vieira disse que a Casa Branca apresentou demandas consideradas “desmedidas” e “sem contrapartidas” para o Brasil.

“O que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas. Portanto, isso também inclui demandas irrazoáveis que os norte-americanos apresentaram durante as negociações”, declarou o ministro.

Segundo Mauro Vieira, representantes brasileiros e norte-americanos participaram de mais de 30 encontros presenciais, virtuais e por telefone desde março de 2025. Além disso, o chanceler manteve 11 contatos com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com o representante comercial dos EUA.

Governo rebate justificativas dos Estados Unidos

O chanceler também contestou os argumentos que os Estados Unidos usaram para justificar a abertura da investigação comercial que levou à nova tarifa. Segundo Vieira, as acusações sobre o Pix, o desmatamento e outras práticas brasileiras “não têm lastro na realidade”.

Vieira afirmou ainda que algumas exigências dos norte-americanos pediam a abertura “total, irrestrita e exclusiva” de setores da economia brasileira para empresas dos Estados Unidos.

Brasil critica declarações de Marco Rubio

Durante a coletiva, o ministro criticou as declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Na ocasião, Rubio acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de priorizar o próprio ego em vez de buscar um acordo comercial.

Para Mauro Vieira, as declarações foram “inaceitáveis” e ofensivas ao governo brasileiro. Ele afirmou que o Brasil sempre manteve abertura para o diálogo, mas sem abrir mão da soberania nacional.

Governo avalia próximos passos

Nos bastidores, o governo federal analisa duas estratégias diante da nova taxação. A primeira consiste em manter as negociações diplomáticas com Washington. A segunda envolve o uso da Lei da Reciprocidade Econômica para responder às medidas adotadas pelos Estados Unidos.

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