24 de janeiro de 2026
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VEJA: Passageiro assedia motora com ‘bola gato’ e trabalhador perde a conta na 99

O caso de Marcus Vinicius Soares da Silva, motorista de aplicativo de 30 anos conhecido como Markinhus Uber, é o retrato do absurdo que se tornou a relação entre motoristas e plataformas como a 99. Durante uma corrida entre Praia Grande e Cubatão, na Baixada Santista, Marcus foi vítima de assédio por parte de um passageiro que, sem pudor algum, elogiou sua aparência e sugeriu sexo oral — tudo registrado por uma câmera dentro do carro.

O vídeo viralizou nas redes sociais, mostrando a calma e o profissionalismo de Marcus diante da situação. Mesmo constrangido, ele respondeu com firmeza e respeito: “Não leva a mal, parceiro, estou trampando na moral.” Mas, no país onde o trabalhador é o primeiro a pagar o preço, o desfecho não poderia ser mais revoltante.

Após denunciar o ocorrido à 99, o motorista não recebeu nenhum suporte. Nenhuma ligação, nenhuma mensagem, nenhum pedido de desculpas. Em vez disso, poucos dias depois, teve sua conta suspensa permanentemente. A empresa alegou “fraude cadastral” — o tipo de justificativa genérica que serve para qualquer coisa, menos para encobrir o próprio descaso.

App em deserviço de quem trabalha

Enquanto o passageiro foi bloqueado (uma medida protocolar, quase simbólica), Marcus perdeu sua fonte de renda. É a típica inversão de valores que as plataformas digitais normalizaram: o cliente sempre tem razão, mesmo quando está errado, e o trabalhador é descartável.

A 99 afirmou em nota que mantém “tolerância zero contra assédio”. Na prática, porém, o que se vê é tolerância total com a injustiça. O discurso bonito de “segurança e respeito” cai por terra quando o algoritmo e a burocracia decidem o destino de quem sustenta o negócio na rua, debaixo de sol, chuva e — neste caso — humilhação.

Marcus agora busca justiça. E tem razão. Não apenas por si, mas por milhares de motoristas que vivem sob o medo constante de perder o sustento por causa de uma denúncia mal interpretada ou de um sistema cego que não distingue vítima de culpado.

A corrida de Marcus terminou com assédio, constrangimento e bloqueio. Mas o verdadeiro crime foi outro: o da empresa que protege sua imagem antes de proteger seus trabalhadores.

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