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Menino que morreu após cirurgia de fimose faria 2 anos; família cobra justiça no Amazonas

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A terça-feira (28) seria de comemoração para a família de Pedro Henrique Falcão Soares Lima, que completaria 2 anos de idade. No entanto, a data marcou dor e saudade, pois o bebê morreu em 11 de dezembro de 2025, aos 1 ano e 3 meses. Naquela ocasião, ele passou por uma cirurgia de fimose no Hospital Municipal Maternidade Eraldo Neves Falcão, em Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas.

Desde a morte da criança, a mãe, Stefany Falcão Lima, transformou o luto em uma luta por justiça. Enfermeira e funcionária da unidade hospitalar onde o procedimento foi realizado, ela afirma que o filho morreu em decorrência de falhas durante a anestesia e cobra a responsabilização dos envolvidos. Além disso, a família relata que a ausência de Pedro Henrique permanece presente na rotina, com os avós visitando frequentemente o túmulo do menino e a irmã mais velha escrevendo cartas em homenagem ao irmão.

A Polícia Civil do Amazonas concluiu o inquérito e indiciou o médico Orlando Ignacio Aguirre por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A investigação constatou diversas irregularidades durante o atendimento, entre elas:

  • A ausência de monitoramento adequado da anestesia
  • Falhas na avaliação pré-anestésica
  • Inconsistências na documentação do procedimento
  • Falta de Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em anestesiologia na data da cirurgia.

O inquérito também aponta que o hospital não comunicou imediatamente a morte às autoridades e que a assinatura da declaração de óbito partiu do próprio médico investigado. De acordo com a mãe da criança, a então diretora da unidade, que é sua tia, tentou agilizar o embalsamamento do corpo. A iniciativa seria uma suposta tentativa de evitar repercussão do caso.

De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Pedro Henrique recebeu medicamentos anestésicos antes do procedimento e apresentou queda dos sinais vitais logo após a aplicação. A causa da morte foi considerada indeterminada. A exumação do corpo só ocorreu apenas 30 dias depois, o estado de decomposição impossibilitou a realização de exames toxicológicos e histopatológicos que poderiam esclarecer a causa do óbito.

Fim das investigações

Por fim, com o encerramento das investigações pela Polícia Civil, o caso passa pela análise do Ministério Público do Amazonas (MPAM), que decidirá se oferecerá denúncia à Justiça.

Todavia, a defesa da família informou que solicitará a mudança da tipificação do crime para dolo eventual. O argumento é de que o médico assumiu o risco de provocar a morte da criança. Enquanto aguardam os próximos desdobramentos, os familiares cobram justiça e mudanças na estrutura da saúde pública de Presidente Figueiredo para evitar que novas tragédias ocorram.

 

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