Após mais de um mês de apuração marcada por atrasos, denúncias e recontagem de votos, o Peru confirmou os nomes que disputarão o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o dia 7 de junho. A candidata de direita Keiko Fujimori enfrentará o candidato de esquerda Roberto Sánchez na disputa pelo comando do país andino.
Keiko, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, terminou o primeiro turno com 17,18% dos votos. Já Sánchez, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, conquistou 12,03% e garantiu a segunda colocação por uma diferença apertada sobre o ultraconservador Rafael López Aliaga, que ficou com 11,90%.
A eleição mobilizou mais de 27 milhões de eleitores e também definiu os 130 deputados e 60 senadores que integrarão o novo Congresso peruano. O pleito ocorreu em meio à crise política que já levou o país a ter nove presidentes em apenas dez anos.
Durante a apuração, ocorreram tumultos no processo eleitoral, atrasos em centros de votação em Lima e acusações de fraude sem provas apresentadas por Rafael Aliaga. Apesar disso, missões da Organização dos Estados Americanos e da União Europeia afirmaram haver ausência de irregularidades que comprometessem o resultado.
Irregularidades
Outro fator que aumentou a tensão política foi a denúncia apresentada pelo Ministério Público peruano contra Roberto Sánchez. A promotoria pede mais de cinco anos de prisão por supostas irregularidades na prestação de contas partidárias entre 2018 e 2020. O candidato nega as acusações e afirma que o caso já havia sido arquivado anteriormente pela Justiça.
Keiko Fujimori tenta chegar à presidência após derrotas nos segundos turnos de 2011, 2016 e 2021. Já Roberto Sánchez defende propostas ligadas à ampliação de direitos trabalhistas, nacionalização de recursos naturais e convocação de uma nova constituinte.
A proclamação oficial do resultado acontecerá neste domingo (17) pelo Júri Nacional de Eleições do Peru, após a conclusão do processo de recontagem.
