A polarização política no Brasil segue dominante e limita significativamente o espaço para uma terceira via nas eleições presidenciais. É o que revela a pesquisa divulgada nesta segunda-feira (30) pelo BTG/Nexus.
De acordo com o levantamento, a disputa tende a se concentrar entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparece como principal nome do campo bolsonarista.
Os dados mostram que apenas 8% do eleitorado se declara simultaneamente antipetista e antibolsonarista — grupo que, em tese, buscaria uma alternativa fora da polarização. Já os eleitores considerados não polarizados somam 23%.
Em relação às bases mais fiéis, os bolsonaristas convictos representam 27% dos eleitores, enquanto os lulistas chegam a 21%. Além disso, ambos os lados ainda contam com nichos adicionais de apoio indireto, o que reforça o cenário de forte divisão.
Intenção de voto
No primeiro turno, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados, com 39% das intenções de voto cada, em um cenário que inclui Romeu Zema (5%) e Eduardo Leite (4%).
Já em um cenário sem Eduardo Leite, Lula amplia ligeiramente sua vantagem, alcançando 42%, contra 39% de Flávio Bolsonaro e 6% de Zema.
No segundo turno, o cenário mais provável também indica empate: ambos aparecem com 46% das intenções de voto. Em uma simulação contra Eduardo Leite, Lula teria vantagem mais confortável, vencendo por 46% a 36%.
Rejeição e voto consolidado
Apesar da alta rejeição — superior a 40% para ambos — Lula e Flávio Bolsonaro concentram os eleitores mais fiéis. A avaliação do governo Lula, por exemplo, registra 51% de rejeição, enquanto 45% aprovam sua gestão.
Destino dos votos da terceira via
Entre os eleitores que prefeririam uma alternativa fora da polarização, 11% afirmam buscar um candidato independente. Dentro desse grupo, 26% dizem que poderiam votar em Lula no primeiro turno, enquanto 16% optariam por Flávio Bolsonaro. A maior parte, porém — 42% — pretende escolher outro nome.
O cenário reforça que, apesar da insatisfação de uma parcela do eleitorado, a disputa presidencial segue fortemente concentrada entre dois polos.
