Uma investigação do Ministério Público do Estado do Amazonas revelou um esquema de regalias e falta de controle envolvendo policiais militares presos em Manaus. A unidade, destinada à custódia de agentes acusados de crimes graves, funcionava com churrascos, partidas de futebol, uso de celulares e até saídas sem autorização.
De acordo com as apurações, 71 policiais estavam sob detenção no local respondendo por crimes como homicídio, tráfico de drogas e estupro. No entanto, a rotina dentro da unidade era marcada por privilégios e pouca fiscalização.
Mensagens encontradas no celular do sargento Douglas Napoleão mostram o deboche dos detentos sobre a situação. Em conversa com a companheira, ele afirmou que a população “não podia saber” como funcionava o local. O militar, condenado por comércio ilegal de armas, também gravou vídeos jogando futebol sem camisa e circulando livremente.
Além disso, o promotor Armando Gurgel informou que os presos pagavam entre R$ 50 e R$ 70 para sair da unidade sem escolta. Durante uma fiscalização surpresa, as autoridades identificaram que 23 detentos não estavam no presídio.
“Colônia de férias”
As investigações apontam que o esquema permitia que policiais deixassem a prisão para circular pela cidade e, em alguns casos, até praticar novos crimes usando a própria custódia como álibi.
Outro caso que chamou atenção envolve o sargento Saimon Macambira Jezini, acusado de participação em tentativa de homicídio. Mesmo preso, ele foi flagrado dirigindo um carro de luxo, fazendo compras em lojas de departamento e manuseando um facão dentro de um estabelecimento comercial.
Além das saídas ilegais, celulares entravam facilmente na unidade. Um dos detentos chegou a gravar vídeos de dentro da cela para negociar armas de fogo pelas redes sociais.
Após a repercussão do caso, o Governo do Amazonas determinou a desativação do antigo núcleo prisional. Por fim, o Estado determinou a transferência dos policiais para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar, instalada na antiga penitenciária feminina de Manaus. Todavia, ela possui agora uma adaptação para reforçar o isolamento e o controle dos presos.

