A crise interna no Partido Liberal (PL) se intensificou nos últimos dias, com embates públicos envolvendo Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro. O conflito expõe divergências sobre estratégias, protagonismo e os rumos da direita bolsonarista.
Estopim: convocação de ato
O novo capítulo da disputa começou após Nikolas anunciar uma manifestação marcada para 1º de março com o lema “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”. Parlamentares do PL em São Paulo reagiram e divulgaram um novo chamamento, retirando o “Fora, Toffoli” e priorizando a pauta da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e a derrubada do veto ao PL da Dosimetria.
O grupo mais alinhado ao núcleo duro do bolsonarismo criou até mesmo um grupo de WhatsApp para organizar o ato na avenida Paulista, movimento interpretado como um esvaziamento da liderança de Nikolas.
A postura se aproxima da estratégia do senador Flávio Bolsonaro, apontado como pré-candidato à Presidência. Ele tem evitado dar centralidade ao impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli.
Críticas públicas e tensão familiar
Na sexta-feira (20), Eduardo afirmou em entrevista que o apoio de Nikolas e Michelle à pré-campanha de Flávio seria insuficiente.
“Nikolas e Michelle estão jogando o mesmo jogo. […] Eu não vi nenhum apoio da Michelle, nenhum post a favor do Flávio.”
Aliados de Nikolas classificaram as críticas como disputa por protagonismo, especialmente após a caminhada organizada pelo deputado contra as prisões relacionadas ao 8 de Janeiro.
Nos bastidores, também há relatos de desconforto de Michelle com a escolha de Jair Bolsonaro pelo filho como pré-candidato. Antes, houve especulação de que ela sairia como vice numa chapa encabeçada por Tarcísio de Freitas.
Publicações e respostas nas redes
No sábado (21), Michelle publicou no Instagram uma imagem de banana frita, dizendo que o marido “ama banana frita”. O gesto foi interpretado por aliados de Eduardo como provocação, em referência ao apelido “bananinha”.
No mesmo dia, Nikolas afirmou, após visitar Bolsonaro na prisão, que está habituado a ataques e defendeu Michelle, dizendo que Eduardo “não está bem”.
O episódio ganhou novos contornos quando o vereador Pablo Almeida (PL) divulgou um trecho de vídeo em que Eduardo fala sobre suposta perseguição do STF ao pai. Aliados do ex-deputado acusaram o vereador de distorcer o conteúdo.
Outros parlamentares, como Lucas Bove, Mário Frias, Gil Diniz e Carlos Bolsonaro, também se manifestaram nas redes, ampliando o embate.
Divergências sobre articulações eleitorais
No fim de semana, houve ainda ruído entre Carlos Bolsonaro e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. O fato ocorreu após declarações sobre uma possível lista de pré-candidatos ao Senado e aos governos estaduais, todos apoiados por Bolsonaro.
Valdemar afirmou que todos no partido têm o direito de indicar nomes, enquanto Carlos declarou que a lista mencionada diz respeito apenas a candidatos que teriam o apoio direto do ex-presidente.
O cenário revela uma disputa interna cada vez mais explícita por liderança, narrativa e espaço político dentro do PL, com impactos diretos na reorganização do bolsonarismo para as próximas eleições.
