Um terremoto de magnitude 7,1 atingiu o sul do Japão e provocou um cenário de destruição na província de Kumamoto. O desastre deixou pelo menos 34 mortos, milhares de imóveis sem água e energia elétrica e aumentando a preocupação das autoridades com os impactos do calor intenso sobre a população afetada.
O tremor ocorreu na última terça-feira (28) e atingiu principalmente a cidade portuária de Yatsushiro. Na ocasião, casas desabaram, ruas sofreram rachaduras e a infraestrutura sofreu severo comprometimento. Nesta quinta-feira (30), cerca de 58 mil residências ainda permaneciam sem abastecimento de água ou fornecimento de energia.
Além dos danos provocados pelo terremoto, o calor de aproximadamente 35°C tem agravado a situação dos moradores. Na prefeitura de Yatsushiro, os banheiros ficaram inutilizados devido à interrupção do abastecimento de água, obrigando as autoridades a instalar sanitários de emergência sobre bueiros de esgoto.
Segundo Akio Matsushita, responsável por coordenar parte das ações de resposta ao desastre, ainda não há previsão para a recuperação da rede de abastecimento.
“Devido ao calor do verão, a falta de água é especialmente difícil”, afirmou. Ele explicou que os danos nas tubulações exigirão um trabalho minucioso e que não é possível estimar se os reparos levarão dias, semanas ou até meses.
A concessionária Kyushu Electric Power informou que trabalha para restabelecer o fornecimento de energia e espera normalizar o serviço até a noite desta sexta-feira (31).
De acordo com o governo da província de Kumamoto, a maioria das vítimas morreu em uma fábrica da Nippon Paper Industries. Ela sofreu graves danos estruturais, e em um shopping center da rede Aeon, onde uma possível explosão de gás também está sendo investigada. Outras nove mortes permanecem sob análise para confirmar se tiveram relação direta com o terremoto.
Entre as vítimas está um trabalhador vietnamita recém-casado, pai de um bebê de apenas sete meses. Em entrevista ao site vietnamita Kenh14, a esposa relembrou a última conversa que teve com o marido na noite anterior ao desastre.
“Sempre que fazíamos uma videochamada, meu filho nunca queria olhar para o pai, mas naquela noite, por algum motivo, ele ficou grudado na tela. Já passava das 23h quando disse que era hora de desligar para que ele pudesse descansar. Nunca imaginei que aquela seria nossa última ligação”, relatou.
Enquanto equipes de resgate seguem atuando nas áreas atingidas, o governo japonês concentra esforços para restabelecer os serviços essenciais e atender os milhares de moradores afetados pela tragédia.
