Em sessão realizada pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) nesta quarta-feira (12/08), os auditores determinaram o retorno do processo relativo à partida do Campeonato Amazonense de Futsal Sub-20 à Procuradoria, para o aprofundamento das investigações. Dessa forma, a decisão desconstruiu a narrativa unilateral divulgada inicialmente e direcionou o foco da apuração para possíveis falhas da arbitragem e problemas de organização da Federação Amazonense de Futebol de Salão (FAFS).
Provas apresentadas no julgamento
Além disso, o acervo de provas apresentado durante o julgamento — incluindo imagens de segurança e o Boletim de Ocorrência nº 00241905/2026 — revelou uma nova perspectiva sobre a dinâmica dos fatos ocorridos na Arena Amadeu Teixeira.
Segundo as provas apresentadas, o conflito teve início quando o atleta Kevin Gabriel dirigiu-se ao árbitro Elson Batista Barão para questionar marcações da partida. Na ocasião, de acordo com a defesa, o jogador foi surpreendido e agredido com um soco no peito desferido pelo próprio juiz.
A partir disso, a agressão física contra um jovem da categoria de base provocou uma reação em cadeia e o imediato tumulto em quadra. Por consequência, a conduta do árbitro foi apontada como o estopim para a desestabilização da partida.
Histórico envolvendo o árbitro
Além do episódio ocorrido na partida, a defesa também apresentou informações sobre o histórico judicial do árbitro. Segundo os dados citados no processo, Elson Batista Barão acumula três processos na Justiça por ameaça e lesão corporal, registrados nos anos de 2004, 2010 e 2018, envolvendo pessoas diferentes.
Nesse contexto, os registros foram utilizados pela defesa para questionar a conduta do profissional e sua atuação em uma competição esportiva de categorias de base.
Imagens contradizem versão inicial
Por outro lado, as imagens apresentadas no julgamento mostraram uma dinâmica diferente daquela inicialmente divulgada. De acordo com a defesa, a comissão técnica e a fisioterapeuta do Recanto da Criança intervieram para conter os ânimos.
Assim, os integrantes da equipe teriam formado um cordão de isolamento ao redor do árbitro, com o objetivo de resguardar sua integridade física e escoltá-lo em segurança até o vestiário.
Da mesma forma, um dos vídeos anexados pela defesa mostra que, após o técnico do Recanto escoltar o juiz até a mesa da comissão, o próprio delegado da partida responsabiliza abertamente a equipe de arbitragem pela situação. Na gravação, ele dispara contra o árbitro: “Você é o culpado”.
Auditor antecipa voto pela absolvição
Diante dessas evidências, e considerando as inconsistências apontadas na denúncia original, um dos auditores do Tribunal já antecipou voto favorável à absolvição do clube.
Além disso, o advogado da instituição, Dr. Marcelo Amil, destacou a importância de investigar a origem do conflito antes de atribuir responsabilidades.
“O árbitro, até pelo histórico de processos criminais que carrega, foi o estopim de toda a situação. Ele agrediu fisicamente um atleta de base com um soco, e essa atitude inaceitável foi o elo desencadeador de todo o tumulto. Não se pode fechar os olhos para a origem dos fatos nem responsabilizar exclusivamente o clube por uma reação gerada pela postura violenta de quem deveria prezar pela ordem no jogo”, pontuou Amil.
A força do esporte na transformação social
Além da questão disciplinar, a revisão do caso reforça a importância de resguardar a idoneidade e a trajetória do Grêmio Recanto da Criança, uma das instituições mais tradicionais e vitoriosas do desporto amazonense.
Mais do que um clube formador de atletas, a instituição desempenha um papel fundamental na formação cidadã de centenas de jovens e crianças. Nesse sentido, utiliza o esporte como ferramenta socioeducativa, de inclusão, disciplina e desenvolvimento pessoal.
Ao longo dos anos, o Recanto da Criança construiu uma trajetória sólida no cenário regional e nacional. Além disso, tornou-se referência na transição das categorias de base para o alto rendimento, promovendo o nome do Estado do Amazonas com excelência técnica e valores éticos.
Recanto da Criança reúne títulos no esporte
Como resultado dessa trajetória, a instituição possui uma extensa galeria de títulos:
Títulos Nacionais e Regionais
1x Campeão Brasileiro de Fut-7
1x Campeão dos Jogos Regionais Escolares – Etapa Norte
Títulos Estaduais e Municipais de Futsal e Fut-7
4x Campeão Amazonense de Fut-7
4x Campeão AM Futsal
3x Campeão Taça Manaus de Futsal
2x Campeão da Copa Rede Amazônica
2x Campeão da Copa SESC de Futsal
Tradição no Esporte Escolar e Comunitário
15x Campeão da Copa dos Rios
11x Campeão do JEPAM (Jogos das Escolas Particulares do Amazonas)
5x Campeão do JEA’s (Jogos Escolares do Amazonas)
1x Campeão do Peladinho
Famílias demonstram alívio após reabertura do processo
Enquanto o processo avança, a reabertura da investigação e a apresentação das novas provas trouxeram alívio aos familiares dos atletas.
A dona de casa Caiane Vaz, mãe de um dos jogadores, ressaltou o impacto positivo do esclarecimento dos fatos para proteger o futuro dos jovens.
“Fiquei muito feliz e aliviada pelo meu filho. Muitas pessoas julgaram sem dar a oportunidade de ouvir o outro lado ou entender como tudo começou; só viram a parte final. O Recanto tem uma história bonita, de títulos e de destaque no esporte amazonense, no escolar e no nacional. Agradeço muito o trabalho brilhante da defesa por mostrar a verdade e não permitir que o futuro dos nossos filhos seja prejudicado por um erro que não foi deles.”
Procuradoria deverá reavaliar condutas
Agora, com a determinação do TJD, a Procuradoria deverá reavaliar integralmente as condutas da equipe de arbitragem e a estrutura do evento promovido pela Federação.
Dessa maneira, o processo retorna para uma nova etapa de apuração, com a análise dos elementos apresentados pelas partes. Ao mesmo tempo, a medida garante a ampla defesa e permite que os fatos sejam examinados de forma mais abrangente antes de uma decisão definitiva.
Em resumo, a determinação do Tribunal amplia a investigação sobre o episódio e coloca sob análise não apenas a atuação do clube, mas também a conduta da arbitragem e as circunstâncias que antecederam o tumulto.
