O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou nesta sexta-feira (30) o conjunto final e definitivo de documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein, em cumprimento a uma lei aprovada pelo Congresso em novembro, que determinou a liberação integral dos registros ligados ao financista e criminoso sexual.
Segundo o vice-procurador-geral Todd Blanche, a nova divulgação encerra oficialmente o cronograma de liberações do governo Trump previsto na legislação. O material inclui mais de 3 milhões de páginas, cerca de 2 mil vídeos e aproximadamente 180 mil imagens.
Blanche informou que parte dos arquivos sofreu edições extensas, com base nas exceções previstas em lei, como a proteção da identidade das vítimas, informações sensíveis e dados ligados a investigações ainda em curso. As divulgações anteriores sofreram de críticas no Congresso por conta do nível de censura aplicado.
Alegações sem fundamento
O Departamento de Justiça reconheceu que alguns documentos contêm acusações consideradas falsas e sensacionalistas envolvendo o presidente Donald Trump, registradas pouco antes das eleições de 2020. A pasta afirmou que essas alegações não possuem fundamento e que, caso tivessem credibilidade, já teriam sido usadas formalmente contra o presidente.
Trump manteve amizade com Epstein nos anos 1990 e início dos anos 2000, mas afirma ter rompido relações antes da primeira condenação do financista. Ele nunca foi acusado formalmente no caso e nega qualquer conhecimento sobre os crimes. Ainda assim, o tema gerou desgaste político, especialmente após Trump prometer a divulgação dos arquivos durante a campanha presidencial de 2024.
Blanche também explicou que houve retenção de alguns documentos devido à proteção de sigilos legais, como o privilégio advogado-cliente. Parlamentares democratas e republicanos questionam se essas retenções violam a lei aprovada pelo Congresso. O Departamento de Justiça informou que enviará um relatório detalhado ao Legislativo com o resumo de todas as edições e documentos mantidos sob sigilo.
O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou que não acredita que divulgaram todo o material exigido de modo efetivo.
Jeffrey Epstein morreu em sua cela em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual. Apesar de classificarem a morte como suicídio, o episódio alimentou teorias conspiratórias que seguem sendo exploradas no debate político norte-americano.
