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18 de setembro de 2026
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Astrônomos confirmam planeta mais jovem já encontrado, com menos de 1 milhão de anos

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Astrônomos confirmaram a existência de Elias 2-24 b, considerado o planeta mais jovem já identificado. Com menos de 1 milhão de anos, o objeto ainda está em processo de formação e permanece dentro do disco de gás e poeira que circunda sua estrela.

A descoberta, publicada no periódico The Astrophysical Journal Letters, pode ajudar os pesquisadores a compreender melhor como surgem planetas gigantes. Elias 2-24 b possui massa semelhante à de Júpiter e está a cerca de 450 anos-luz da Terra.

O sistema chamou a atenção dos cientistas porque apresenta uma fase extremamente inicial da formação planetária. A estrela Elias 2-24 ainda é envolvida por um disco formado por gás, poeira, gelo e rochas, materiais que dão origem aos planetas.

Planeta em lacuna do disco

Um dos principais indícios da presença de Elias 2-24 b foi uma grande lacuna identificada no disco ao redor da estrela. De acordo com os modelos de formação planetária, mundos em crescimento podem criar essas aberturas ao percorrer suas órbitas.

Foi justamente nessa região que os pesquisadores encontraram um ponto de luz posteriormente associado ao planeta.

Observações realizadas pelo radiotelescópio ALMA, no Chile, já haviam revelado a estrutura no disco. Mais tarde, o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul, também detectou o objeto.

Para confirmar sua natureza, a equipe liderada pelo pesquisador Andrea Bernardi analisou registros arquivados do Observatório W. M. Keck, no Havaí. Além disso, a identificação do mesmo ponto ocorreu em observações de 2018 e 2020.

Ao comparar a posição do objeto ao longo do tempo, os cientistas concluíram que seu movimento era compatível com o de um planeta orbitando a estrela.

Descoberta desafia modelos de formação

Antes de Elias 2-24 b, o título de planeta mais jovem conhecido era compartilhado por quatro mundos: dois ao redor da estrela PDS 70 e outros dois no sistema WISPIT 2. Todos têm mais de 5 milhões de anos.

A descoberta do novo planeta é especialmente relevante e uma das razões tem a ver com os modelos atuais. Eles indicam que um planeta com massa semelhante à de Júpiter levaria milhões de anos para se formar em uma órbita tão distante de sua estrela.

Elias 2-24 b está aproximadamente 55 vezes mais distante de sua estrela do que a Terra está do Sol, o que torna sua idade e suas características ainda mais interessantes para os pesquisadores.

Segundo Lucas Cieza, professor do Instituto de Estudos Astrofísicos do Chile e coautor do estudo, o planeta indica que os modelos atuais ainda podem não considerar todos os processos envolvidos na formação de mundos gigantes.

A maioria dos exoplanetas conhecidos tem bilhões de anos. Além disso, muitos são identificados por meio do método de trânsito, quando o planeta passa diante de sua estrela e provoca uma pequena queda no brilho observado.

Esse método é mais difícil de aplicar a planetas recém-formados. Esses objetos podem estar escondidos pelo próprio material do disco que os originou e também podem permanecer em órbitas muito afastadas de suas estrelas.

Por isso, Elias 2-24 b representa uma oportunidade para observar diretamente uma etapa inicial da formação planetária e testar os modelos utilizados pelos astrônomos.

Novos telescópios ampliarão descobertas

Os pesquisadores esperam que novos instrumentos permitam encontrar outros planetas ainda jovens. O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da NASA, conta com tecnologias que podem facilitar a observação de mundos próximos a estrelas muito brilhantes.

A expectativa é que equipamentos desse tipo ampliem a capacidade dos cientistas de acompanhar a formação de planetas e encontrar objetos semelhantes a Elias 2-24 b em diferentes sistemas.

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