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7 de julho de 2026
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Bilhete da Mega-Sena de R$ 29 milhões gera disputa judicial entre lotérica e ex-funcionária

Um bilhete premiado da Mega-Sena, avaliado em R$ 29 milhões, tornou-se o centro de uma disputa judicial entre o proprietário de uma casa lotérica e uma ex-funcionária em Sinop (MT). O caso envolve um comprovante de aposta danificado durante a impressão e que acabou premiado no concurso realizado em agosto de 2023.

A ex-operadora de caixa Clarice Simon e o marido, Cladecir Picoli, respondem atualmente por furto qualificado. Já o dono da lotérica, Amélio Lenke, tenta na Justiça obter o reconhecimento da titularidade do prêmio milionário.

Segundo a investigação, o episódio ocorreu em 12 de agosto de 2023, quando uma aposta apresentou falha na impressão durante o atendimento a uma cliente. Clarice emitiu um novo bilhete com os mesmos números e entregou o comprovante válido à apostadora, que posteriormente recebeu normalmente sua parte do prêmio.

No entanto, ela guardou o bilhete danificado em um armário utilizado pelos funcionários. Após o sorteio, que distribuiu R$ 116 milhões entre quatro apostas vencedoras, Clarice conferiu o comprovante com uma colega. Posteriormente, ela constatou que ele também continha as seis dezenas sorteadas.

Na sequência, ela e o marido compareceram a uma agência da Caixa Econômica Federal, onde apresentaram o bilhete. Lá, eles declararam que Cladecir fez a aposta.

Diante das rasuras no comprovante, a Caixa iniciou uma análise interna e estabeleceu prazo de 90 dias para pagamento do prêmio. Antes do vencimento desse período, porém, a Justiça determinou o bloqueio dos valores após o proprietário da lotérica registrar um boletim de ocorrência e ingressar com uma ação judicial.

A defesa de Clarice afirma que ela pagou pelo bilhete danificado. Em seguida, disseram que esse procedimento era comum na lotérica sempre que havia falhas de impressão ou diferenças de caixa. Além disso, uma ex-colega confirmou essa versão e disse que a funcionária teve o valor da aposta descontado.

Já a defesa do proprietário sustenta que as normas da Caixa proíbem qualquer reaproveitamento ou apropriação de bilhetes com defeito de impressão, independentemente do valor da aposta.

A Caixa Econômica Federal informou que não comenta processos em andamento e afirmou apenas que cumpre rigorosamente as determinações do Poder Judiciário.

O Ministério Público denunciou o casal por furto qualificado, mas também manifestou entendimento de que o prêmio não pertence formalmente nem aos acusados nem à empresa lotérica, deixando a definição para a Justiça.

As audiências de instrução e julgamento estão marcadas para fevereiro de 2027, quando deverá começar a ser decidido quem terá direito aos R$ 29 milhões.

 

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