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Idoso mata jovem a tiros após não aceitar fim de relacionamento em São Paulo
Segundo amiga que presenciou o crime, pecuarista não aceitava o fim dos encontros casuais e o novo relacionamento da jovem; testemunha relata agressões e ameaças anteriores ao assassinato.
Em entrevista ao g1, Pollyanna contou que Priscila nunca teve um relacionamento sério com Bolelli. Os dois mantinham encontros casuais, mas, segundo a testemunha, o pecuarista demonstrava comportamento controlador e possessivo.
A jovem, natural de Perdizes, no Alto Paranaíba, tentava interromper os encontros havia meses. A situação teria se intensificado depois que ela começou a namorar Samuel Ramos, de 26 anos.
“Ele queria ter posse dela. Ele queria ter ela só pra ele e não aceitava de forma nenhuma que ela interrompesse qualquer vínculo que existia”, relatou a amiga.
Pressão psicológica e chantagens antes do crime
De acordo com Pollyanna, Bolelli recorria à pressão psicológica e a chantagens emocionais para convencer Priscila a continuar encontrando com ele. O pecuarista dizia estar doente e afirmava que precisava da presença da jovem.
Segundo a testemunha, ele pedia que Priscila fosse até Rifaina para cuidar dele e prometia oferecer o que ela quisesse. A amiga afirmou que a jovem acabava cedendo algumas vezes por medo das ameaças e da pressão emocional.
Ainda conforme o relato, desde que começou o relacionamento com Samuel, Priscila já não queria manter qualquer envolvimento com o pecuarista.
Ameaça e agressão
Em 23 de outubro, quatro dias antes do assassinato, Priscila contou à amiga que havia sido agredida por Bolelli. Pollyanna afirmou que viu marcas das lesões no corpo da jovem.
A testemunha também relatou à polícia que o pecuarista teria ameaçado dar um tiro na cabeça de Priscila e contratado pessoas para monitorar os passos dela. Segundo o depoimento, ele desconfiava que a jovem estivesse se relacionando com outra pessoa e não queria que ela voltasse para Perdizes.
Na ocasião, Priscila conseguiu retornar a Minas Gerais. No entanto, Bolelli teria entregado a caminhonete dele à jovem e exigido que ela voltasse a Rifaina. Caso não retornasse, teria ameaçado atirar na cabeça dela.
Pecuarista insistiu para que Priscila fosse devolver veículo
Na terça-feira (27), Priscila foi até Rifaina para devolver a caminhonete. Por estar apreensiva com a situação, viajou acompanhada do irmão, Geovane Santana, e da amiga Pollyanna.
Antes do encontro, a jovem teve dificuldade para localizar o endereço indicado por Bolelli. Pollyanna sugeriu que deixassem o veículo na cidade e que o pecuarista fosse buscá-lo, mas ele insistiu que Priscila comparecesse pessoalmente.
Segundo a amiga, Bolelli alegou que estava a pé e não tinha outro automóvel para buscar a caminhonete. Diante da insistência e do histórico de ameaças e pressão psicológica, Priscila acabou indo até o local combinado.
Executada às margens da rodovia
O encontro aconteceu às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), próximo a uma propriedade rural, conforme o boletim de ocorrência da Polícia Militar.
No local, Priscila e Bolelli começaram a conversar, mas discutiram por causa de um celular que o pecuarista teria dado à jovem.
Durante o desentendimento, o homem sacou uma arma e atirou contra Priscila. Em seguida, fugiu na caminhonete que ela havia levado para devolver.
O assassinato foi presenciado pelo irmão e pela amiga da vítima. Priscila chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
Prisão preventiva
Na quarta-feira (28), a Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva de João Roberto Bolelli. Até a última atualização das informações, ele não havia sido localizado e era considerado foragido.
O caso é investigado como feminicídio. A principal linha de investigação aponta que o crime teria sido motivado pela inconformidade do suspeito com o fim dos encontros e pelo fato de Priscila ter iniciado um novo relacionamento.
Ao g1 Ribeirão Preto e Franca, a defesa do pecuarista informou que analisava o caso e ainda não havia conseguido contato com ele.
Jovem planejava vida nova
Priscila namorava Samuel Ramos desde junho e os dois moravam juntos havia cerca de um mês em Perdizes. Segundo o namorado, ela já havia encerrado os encontros casuais com Bolelli antes de iniciar o relacionamento.
A jovem estudava marketing digital e fotografia de forma remota e planejava comprar uma casa em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, para morar com Samuel.
O namorado também afirmou que Bolelli não aceitava o novo relacionamento e teria contratado um detetive para seguir Priscila.
