Após a sinalização do Banco Central de que pode iniciar a redução da taxa básica de juros (Selic) já em março, o mercado financeiro reagiu de forma positiva nesta quinta-feira. O dólar comercial caiu 0,22% e encerrou o dia cotado a R$ 5,194, a menor cotação desde 28 de maio de 2024. Já a Bolsa de Valores recuou ao longo da sessão, pressionada pelo cenário externo, mas seguiu em patamar elevado.
Durante o dia, a moeda norte-americana chegou a oscilar, atingindo a mínima de R$ 5,166, antes de se estabilizar em queda no fechamento. O movimento refletiu a leitura de que a política monetária brasileira pode entrar em um ciclo de flexibilização nos próximos meses.
O Ibovespa, principal índice da B3, abriu em alta. O mercado subiu cerca de 0,9%, alcançando 186.337 pontos, mas inverteu o sinal após o meio-dia. A virada coincidiu com a piora dos mercados em Wall Street, após a divulgação de resultados da Microsoft. Perto do fim do pregão, o índice caía 0,75%, aos 183.305 pontos.
Segundo analistas, além da influência externa, o recuo também reflete um movimento de realização de lucros, após uma forte valorização acumulada do Ibovespa, que soma cerca de 15% de alta em janeiro e quase 50% nos últimos 12 meses.
Para o economista-chefe da Forum Investimentos, Bruno Perri, a reação do mercado foi direta ao comunicado do Copom:
“Vimos uma reação positiva do mercado, com dólar perdendo força e curva de juros fechando, porque o Copom deixou bem explícito que deve reduzir os juros na próxima reunião.”
O Copom manteve a Selic em 15% ao ano, mas destacou que a atividade econômica dá sinais de moderação e que a inflação apresenta arrefecimento, abrindo espaço para cortes a partir de março, ainda que de forma gradual.
Internacional
No cenário internacional, o Federal Reserve também manteve os juros nos Estados Unidos, em um intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano. O presidente do Fed, Jerome Powell, adotou um tom cauteloso, indicando que novos cortes dependerão da evolução dos dados econômicos.
Já no mercado de commodities, o ouro apresentou leve queda. Todavia, o petróleo subiu para o maior nível em quatro meses, impulsionado por tensões geopolíticas e temores envolvendo o Oriente Médio.
