19 de agosto de 2026
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Ex-ministro ucraniano pede eleições durante a guerra e fala em crise de governança

Foto: via REUTERS - MYKHAILO FEDOROV / RFI

O ex-ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, defendeu na noite desta terça-feira (18) a realização de eleições no país mesmo durante a guerra contra a Rússia. Em pronunciamento, ele afirmou que a Ucrânia atravessa uma “crise sistêmica de governança”. Por essa razão, ele determinou a criação de um mecanismo que permita retomar o processo eleitoral com segurança.

Segundo Fedorov, a democracia não deve ser interrompida pela guerra. Ele argumentou que a Ucrânia precisa encontrar uma solução legal e viável para realizar eleições, mesmo diante do conflito iniciado com a invasão russa em fevereiro de 2022.

A realização de eleições é uma questão especialmente delicada porque a lei marcial, em vigor desde o início da invasão em larga escala, impede atualmente a realização de votações no país.

O próprio ex-ministro reconheceu os obstáculos para organizar um processo eleitoral, especialmente em relação aos militares. Nessas regiões,próximas às áreas de combate, existem milhões de ucranianos que vivem como refugiados no exterior. Portanto, esses fatores também são apontados pelo presidente Volodymyr Zelensky como justificativas para a ausência de eleições presidenciais.

“Complexidade não significa impossibilidade”, afirmou Fedorov, defendendo que o país encontre uma alternativa para garantir a participação democrática.

Críticas ao governo

Nomeado ministro da Defesa em janeiro, aos 35 anos, Fedorov permaneceu cerca de seis meses no cargo. Durante o pronunciamento, ele criticou o funcionamento do Estado ucraniano e afirmou que determinadas estruturas “seguem suas próprias regras”, além de acusá-las de resistir a mudanças.

O ex-ministro também voltou a abordar denúncias de corrupção. Segundo ele, mudanças nos procedimentos de aquisição de equipamentos militares, que envolvem bilhões de dólares, teriam contribuído para sua saída do Ministério da Defesa.

Fedorov defendeu ainda a utilização exclusiva desses recursos à defesa, especialmente durante a guerra.

Possível rival de Zelensky

O discurso ocorre em meio ao crescimento da mobilização de apoiadores de Fedorov. No mês passado, manifestações em Kiev reuniram milhares de pessoas em atos favoráveis ao ex-ministro.

Com sua saída do Ministério da Defesa e as críticas ao governo, Fedorov passa a ocupar um espaço político que pode colocá-lo em confronto com o grupo de Zelensky.

Até o momento, a Presidência da Ucrânia não havia se manifestado sobre o pronunciamento.

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