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22 de agosto de 2026
Destaques

Expedição inédita no Rio Negro une esporte, educação e desenvolvimento sustentável na Amazônia

Expedição Va'a Amazônico percorre 120 km pelo Rio Negro até Anavilhanas, unindo esporte, turismo sustentável e valorização das comunidades ribeirinhas.

Pela primeira vez, remadores de canoa havaiana vão subir o Rio Negro rumo ao Arquipélago de Anavilhanas, com destino à comunidade de Santa Helena do Inglês. A Expedição Va’a Amazônico acontece nos dias 5 e 6 de setembro. Além disso, a iniciativa reúne esporte, turismo e sustentabilidade em uma experiência que valoriza as comunidades ribeirinhas e promove a geração de renda por meio do turismo de base comunitária.

A ação é realizada em conjunto pela Universidade Nilton Lins, pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e pela Escola Mahi Mahi. Dessa forma, a proposta conecta a tradição amazônica à prática esportiva e, ao mesmo tempo, fortalece iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável na região.

Para a reitora da Universidade Nilton Lins, Giselle Lins, a expedição representa a concretização de uma ideia que já vinha sendo desenvolvida pela instituição. “É uma experiência inédita. A universidade é um palco perfeito para isso, porque atua na formação, na inovação, e traz uma cultura de muitos antepassados, que é o remo, para uma região como a nossa”, afirma.

Ao todo, serão percorridos 120 quilômetros em dois dias. Segundo Giselle, a iniciativa também aproveita os resultados de projetos anteriores desenvolvidos pela universidade. Entre eles está o curso de turismo oferecido aos moradores da própria comunidade. Atualmente, uma ex-aluna da instituição administra uma pousada no local.

“Você fecha todo o ciclo porque mostra a importância do turismo, do esporte, da formação acadêmica e das ações sociais nas comunidades ribeirinhas”, resume.

UMA JORNADA COMPARTILHADA

O presidente da FAS, Virgílio Viana, destaca, por sua vez, o caráter simbólico da expedição. O projeto nasceu da união de três instituições que atuam em áreas relacionadas ao meio ambiente e à sustentabilidade. Além disso, a atividade deve reunir quase 40 remadores e contribuir para fortalecer o destino turístico da região.

Nesse sentido, casas de receptivo das comunidades poderão receber visitantes de diferentes partes do Brasil. Para Viana, o cenário reúne características ideais para o desenvolvimento da canoagem e do turismo sustentável. “É a pátria das águas e a meca da canoagem”, afirma.

Viana também ressalta o significado do remo coletivo. “Seis remadores remam juntos, fortalecendo as comunidades. É uma jornada cheia de simbolismo, não é só uma remada”, explica.

Por isso, desde o início, a proposta foi transformar a atividade esportiva em uma oportunidade de geração de renda e prosperidade para as comunidades. Ao mesmo tempo, a iniciativa valoriza soluções sustentáveis já adotadas pelos moradores, como o uso de energia solar.

“Uma jornada de esperança a ser compartilhada, com solidariedade às comunidades ribeirinhas”, complementa Viana.

Já o coordenador técnico esportivo da expedição, Benedito Monteiro, explica os detalhes operacionais do desafio. A Escola Mahi Mahi atua com canoagem havaiana em Manaus há quatro anos. Além disso, a modalidade utiliza embarcações para a prática coletiva do esporte.

“A expedição será no sistema de revezamento. A gente vai trocar os remadores a cada 20 km, ao longo de cerca de nove horas de remada”, explica Monteiro.

Para participar da remada, foram selecionados atletas com experiência e treinamento específico. A equipe técnica contará ainda com quatro profissionais de apoio. Dessa maneira, a organização busca garantir a segurança e o acompanhamento dos participantes durante o percurso.

“É um desafio inédito em Manaus”, afirma Monteiro.

IMERSÃO NA AMAZÔNIA

De acordo com a programação oficial, a saída de Manaus está prevista para as 5h do dia 5 de setembro. Em seguida, o grupo seguirá pelo Rio Negro até a comunidade de Santa Helena do Inglês.

Durante o percurso, os participantes também passarão pela Praia do Iluminado, onde será realizado o almoço do grupo. Depois disso, a programação seguirá até a comunidade, onde ocorrerá a parada para pernoite.

O retorno a Manaus está marcado para as 5h do dia seguinte. Assim, os participantes terão dois dias de contato direto com o rio, a floresta e as comunidades tradicionais da região.

Para a hospedagem, os participantes poderão escolher entre dois pacotes. O primeiro é o “Rede & Rio”, que oferece acomodação em rede a bordo do barco de apoio. Já o segundo, chamado “Terra Firme”, inclui pernoite em alojamento no local de parada.

A participação na remada será restrita a atletas que tenham treinamento específico para o trecho. Afinal, o percurso exige preparo físico e experiência devido às características da atividade. Entretanto, acompanhantes também poderão participar da expedição.

As inscrições seguem abertas até 22 de agosto ou enquanto houver vagas disponíveis. Para obter mais informações, os interessados podem acessar o Instagram @mahimahimao.

Além disso, a organização destaca que a iniciativa possui caráter não comercial e não tem fins lucrativos. Portanto, os valores pagos pelos participantes serão destinados exclusivamente à cobertura dos custos operacionais, como deslocamento, alimentação, logística e estrutura.

Do primeiro café compartilhado a bordo até o retorno a Manaus, a Expedição Va’a Amazônico propõe, assim, uma experiência de dois dias de imersão na Amazônia. Entre rio, natureza e aventura, a iniciativa busca fortalecer os laços entre universidade, ciência, esporte e comunidades tradicionais.

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