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13 de junho de 2026
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Resgatada após 49 anos de exploração, idosa foi entregue pelo pai aos patrões

Reprodução

Uma idosa de 62 anos, resgatada após viver 49 anos em condição análoga à escravidão, relatou que foi entregue pelo próprio pai à família empregadora em 1977, quando tinha apenas 12 anos. Segundo a vítima, a promessa era de que ela receberia educação e os patrões a educariam.

No entanto, ainda adolescente, eles a retiraram da escola, não passou pela alfabetização e trabalhou como empregada doméstica sem interrupções por quase cinco décadas. Posteriormente, uma operação conjunta do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a resgataram nesta quarta-feira (10). A vítima estava numa residência no centro de Bragança Paulista.

Durante o resgate, a vítima se emocionou ao relatar que não saía do apartamento havia cerca de quatro meses. Ela afirmou que enfrentava uma rotina exaustiva, que comprometia sua saúde física e emocional, chegando a passar mais de um mês sem lavar os cabelos.

As investigações apontaram que a trabalhadora exercia atividades diariamente, incluindo domingos, feriados, Natal e Ano Novo. Em 2015, ela conseguiu se aposentar após um breve período de registro em carteira. Entretanto, a patroa administrava os valores recebidos, que liberava pequenas quantias quando solicitado.

Sem remuneração

Após a aposentadoria, a mulher deixou de receber qualquer remuneração, mas continuou trabalhando na residência. Nos últimos meses, era responsável pelos cuidados integrais da patroa, uma idosa acamada, passando noites sem dormir e sem acesso adequado a tratamento médico.

Segundo o MPT, os proprietários também utilizavam os valores da aposentadoria para custear despesas da casa da empregadora. Os órgãos de fiscalização calcularam que a vítima tem direito a cerca de R$ 1,6 milhão, incluindo verbas trabalhistas, rescisórias e indenizações por danos morais individuais e coletivos.

Após o resgate, a mulher foi retirada do imóvel e acolhida por familiares. A defesa da família investigada solicitou prazo para apresentar manifestação, e o MPT concedeu 20 dias para a resposta.

 

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