A fraude bilionária envolvendo a Americanas ganhou um novo capítulo com o avanço das investigações da Polícia Federal. A nova fase da Operação Disclosure ampliou o foco das apurações e passou a atingir pessoas ligadas aos acionistas de referência da companhia, elevando ainda mais a gravidade de um dos maiores escândalos corporativos da história do Brasil.
O caso veio à tona em janeiro de 2023, quando a varejista revelou a existência de inconsistências contábeis que inicialmente somavam cerca de R$ 20 bilhões. Dias depois, o valor passou por um recalculo para mais de R$ 40 bilhões. Portanto, isso levou a empresa a pedir recuperação judicial para evitar a falência.
Como a fraude funcionava
Segundo as investigações, a Americanas utilizava operações conhecidas como “risco sacado” para ocultar dívidas bancárias. Em vez de registrar empréstimos contraídos junto às instituições financeiras, os valores eram contabilizados como obrigações com fornecedores, mascarando o real nível de endividamento da empresa.
Outro mecanismo apontado pelas autoridades envolvia contratos de Verba de Propaganda Cooperada (VPC), que teriam sido lançados nos balanços sem respaldo econômico real. A prática inflava artificialmente os resultados financeiros e criava uma aparência de lucratividade superior à realidade.
Com os números maquiados, executivos recebiam bônus milionários vinculados ao desempenho da companhia. As investigações também apontam que diretores venderam ações da empresa antes da divulgação do rombo, levantando suspeitas de uso de informação privilegiada.
Novos alvos da Operação Disclosure
Se nas primeiras fases das investigações os principais alvos eram ex-executivos da empresa, como o ex-CEO Miguel Gutierrez e a ex-diretora Anna Saicali, agora a Polícia Federal direciona atenção a pessoas próximas dos acionistas de referência.
Entre os nomes citados nos mandados de busca e apreensão estão o empresário Beto Sicupira e Paulo Alberto Lemann, filho do bilionário Jorge Paulo Lemann. Até o momento, os citados não se manifestaram publicamente sobre o caso.
A Justiça também determinou o bloqueio e sequestro de até R$ 54 bilhões em bens dos investigados, em uma das maiores medidas patrimoniais já adotadas em uma investigação financeira no país.
Bancos também aparecem nas investigações
A nova etapa da operação alcançou ainda executivos ligados a grandes instituições financeiras, incluindo Itaú, Bradesco e Santander.
Em notas divulgadas à imprensa, os bancos afirmaram colaborar com as autoridades desde o início das investigações. O Itaú destacou que não é alvo da apuração e alegou ter recusado solicitações da antiga gestão da Americanas para alterar documentos relacionados aos balanços. Já Santander e Bradesco informaram que permanecem à disposição dos órgãos responsáveis.
Escândalo muda de patamar
O avanço das investigações representa uma mudança significativa no caso. O escândalo passará a examinar a possível participação ou conhecimento de pessoas ligadas aos principais acionistas e ao sistema financeiro. Antes, a Justiça tratava o caso como uma fraude concentrada na alta administração da companhia
Com a ampliação das apurações, a expectativa é que os próximos desdobramentos ajudem a esclarecer quem sabia da fraude, como ela foi sustentada por tantos anos e quais responsabilidades poderão ser atribuídas aos envolvidos.
