O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) confirmou que manteve dois contatos com o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. As declarações surgiram nesta quinta-feira (3), ao colunista Igor Gadelha, do site Metrópoles. Ao falar sobre a relação com o banqueiro, o parlamentar negou o cometimento de qualquer irregularidade e afirmou que nunca recebeu dinheiro de Vorcaro.
De acordo com Nikolas, o primeiro contato entre os dois ocorreu em 2024, após o deputado apresentar um pedido com base na Lei de Acesso à Informação (LAI). Na ocasião, ele buscava descobrir quem financiou a viagem de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de outras autoridades para um fórum jurídico realizado em Londres.
Depois de protocolar o pedido, Nikolas disse que procurou o pastor André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha, que questionou a iniciativa do parlamentar. Diante disso, o deputado disse que enviou uma mensagem a Vorcaro para esclarecer que não sabia que o Banco Master, chamado por ele de “Banco do Dani”, estava entre os responsáveis pelo financiamento do evento.
Um áudio dessa conversa foi divulgado nesta quinta-feira pelo site ICL. Na gravação, Nikolas explica a Vorcaro que, se soubesse antecipadamente que o Banco Master havia financiado o encontro, teria procurado o empresário antes de publicar informações sobre o assunto.
No áudio, o deputado afirma que conversou com Valadão sobre a publicação e explicou que desconhecia a participação do banco no financiamento. Nikolas também disse que, caso tivesse essa informação anteriormente, teria procurado Vorcaro antes de fazer a postagem. Ao final da mensagem, afirmou esperar que a situação tivesse sido esclarecida e mencionou a possibilidade de um encontro entre os dois.
O segundo contato ocorreu em 2025, conforme o relato de Nikolas. Desta vez, o deputado procurou Vorcaro para tentar ajudar o amigo e advogado Thiago Rodrigues de Faria, que tinha interesse na liberação de um chamado “ativo minerário”.
De acordo com o parlamentar, Thiago havia comentado sobre o assunto e mencionado o nome de Vorcaro. Nikolas afirmou que não tinha proximidade com o banqueiro, embora desejasse ter mais contato com ele, mas decidiu encaminhar a demanda.
Na ocasião, o deputado enviou a Vorcaro o contato de Thiago para que os dois pudessem conversar diretamente sobre o ativo. Nikolas declarou que não conhecia os detalhes da questão e que apenas decidiu fazer a intermediação por confiar no amigo.
Em outro áudio divulgado pelo ICL, Nikolas explica a Vorcaro que Thiago era seu amigo e advogado. Em seguida, o deputado relatou a existência de um ativo minerário que passou por análise técnica. Todavia, elee disse que não sabia exatamente do que se tratava, mas que poderia fazer a ponte entre os dois e encaminhar o contato para que avaliassem a possibilidade de prosseguir com a negociação.
Afastamento após repercussão do Caso Master
Ao comentar os dois episódios, Nikolas afirmou que não voltou a conversar com Vorcaro depois que vieram a público informações sobre o envolvimento do empresário em investigações relacionadas a uma fraude contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O deputado também negou ter recebido qualquer valor do banqueiro e rejeitou a existência de negócio ou contrato entre os dois.
“Não houve nenhum contrato fechado, nunca recebi nenhum centavo dele”, declarou Nikolas.
O parlamentar sustenta, portanto, que os contatos ocorreram em circunstâncias específicas:
- O primeiro relacionado aos questionamentos sobre o financiamento de um evento jurídico em Londres
- O segundo envolvendo a tentativa de aproximar seu amigo de Vorcaro para tratar de um ativo minerário.
Por fim, Nikolas afirma que nenhuma dessas situações resultou em pagamento ou contrato em seu favor.
