7 de julho de 2026
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Morte de Benedito Ruy Barbosa relembra legado de novelas que marcaram o Brasil

Foto: João Miguel Júnior/TV Globo / BBC News Brasil

A morte de Benedito Ruy Barbosa, nesta terça-feira (7), aos 95 anos, encerra a trajetória de um dos maiores autores da história da televisão brasileira. Criador de novelas como O Rei do Gado, Pantanal, Renascer e Cabocla, ele transformou o campo em protagonista de histórias. Seus personagens abordavam não apenas romances, mas também questões sociais, econômicas e políticas do país.

Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Benedito ficou conhecido por retratar o chamado “Brasil profundo”. Em suas obras, conflitos envolvendo terra, imigração, coronelismo, desigualdade social e reforma agrária dividiam espaço com grandes histórias de amor. Portanto, isso aproximou milhões de brasileiros de temas pouco discutidos na televisão.

Um dos maiores sucessos de sua carreira foi O Rei do Gado, exibida em 1996. A novela conquistou cerca de 60 milhões de telespectadores ao narrar a rivalidade entre as famílias Mezenga e Berdinazzi. Nela, o autor utilizou o romance entre seus descendentes como pano de fundo para discutir a concentração de terras e os conflitos no meio rural.

Em entrevistas, Benedito costumava explicar o êxito da obra dizendo que “todo mundo tem na sola do pé um pouco de barro”. Portanto, essa frase sintetizava sua convicção de que o campo faz parte da identidade nacional, mesmo em um país cada vez mais urbano.

Especialistas apontam que o autor rompeu com a visão idealizada do interior brasileiro, levando para as novelas um retrato mais realista das desigualdades sociais. Suas produções também influenciaram profundamente a linguagem da televisão. Consequentemente, isso ampliou as gravações em locações externas, valorizando paisagens naturais e aproximando a estética das novelas da linguagem cinematográfica.

Nova fase na televisão

Além do conteúdo social, Benedito revolucionou a forma de produzir teledramaturgia. Obras como Renascer e O Rei do Gado adotaram uma fotografia mais elaborada, planos abertos e cenários naturais, mudanças que marcaram uma nova fase das produções televisivas brasileiras.

Nos últimos anos, seu legado voltou ao horário nobre com os remakes de Pantanal (2022) e Renascer (2024), ambos adaptados por seu neto, Bruno Luperi. As novas versões reafirmaram a força das histórias criadas pelo autor e apresentaram sua obra a uma nova geração de telespectadores.

Reconhecido como um dos principais nomes da dramaturgia nacional, Benedito Ruy Barbosa deixa um legado que ultrapassa o entretenimento, ajudando a contar a história do Brasil por meio de personagens, paisagens e conflitos que marcaram gerações.

 

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