1 de julho de 2026
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Não, o Amazonas não parou de respirar hoje!

 

Desde os primeiros minutos desta quinta-feira, dia 14 de janeiro de 2021, a apreensão e o medo tomaram conta da população manauara. Mensagens sobre a falta de oxigênio hospitalar na rede pública de saúde viralizaram nas redes sociais e grupos de Whatsapp. Hospital Getúlio Vargas, SPA do Alvorada, SPA da Redenção e SPA da Compensa foram algumas das unidades de saúde que se viram literalmente asfixiadas pela ausência de O2.

Na noite anterior, nada mais nada menos do que 198 sepultamentos foram realizados na capital do amazonas, sendo 94 em decorrência do covid-19, números que dão a dimensão do poderio desta famigerada segunda onda da pandemia. Só na última terça-feira, dia 12, foram diagnosticados 1.958 novos casos do vírus chinês.

Mas ao contrário do que um observador desatento possa concluir, esta quinta-feira não foi o Dia D ou a hora H – para parafrasear o Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello – que marcou a falta de fôlego do sistema de saúde local. A saturação no pulmão do Estado do Amazonas já vinha baixa há algum tempo.

O primeiro caso de coronavírus no estado foi detectado em 13 de março de 2020. Meses antes, ainda em 2019 e sem pandemia, a saúde pública já vivenciava um colapso, como no caso da morte de 32 crianças cardiopatas no Hospital Universitário Francisca Mendes, que segundo relatos sofria, à época, com a falta de equipamentos e remédios, e tinha uma fila de espera para atendimento de 200 crianças cardiopatas.

A verdade é que não é de agora que a saúde do Amazonas anda por Maus Caminhos. Isso é de antes mesmo dos mais de R$ 100 milhões desviados por Mohamad Mustafá e sua quadrilha. A pandemia do novo coronavírus veio apenas dar “publicidade” nacional e internacional a esse caos.

A gestão de crise da pandemia foi temerária para a população e ao mesmo tempo bastante lucrativas para alguns. Respiradores falsos e superfaturados comprados pelo Governo do Estado em uma loja de vinho, álcool em gel também superfaturado comprado pela Prefeitura, troca de secretários, pedidos de impeachment do governador, empresas fechadas culminando em demissões em massa e afrouxamento inexplicável nas restrições durante o período das eleições. Período esse, vale lembrar, que tínhamos dois hospitais de campanha, corroborando com a ideia de que eram hospitais de campanha, mas de campanha eleitoral. Tudo isso, obviamente, com a vigência de decreto de calamidade pública que permite contratações com dispensa de licitação.

Nunca é demais lembrar que o Amazonas foi um dos estados mais assistidos pelo governo federal nesta pandemia. Em 2020, foram quase R$ 2 bilhões de reais destinados, além de respiradores, monitores, cilindros de oxigênio e apoio logístico. Mesmo a contragosto da maioria da população, o comitê de crise do Governo reiteradamente destacou a importância dos cuidados para conter a proliferação do vírus e a iminente segunda onda. Nem assim, o planejamento foi capaz de prever que ao passo que se abrem novos leitos – e isso, justiça seja feita, o Governo do Estado tem se esmerado a fazer – é preciso ter os insumos necessários, entre eles o oxigênio hospitalar.

O que nos resta são apenas duas coisas: clamar a Deus por misericórdia ao nosso povo e pedir que o Governo Federal intervenha e passe a gerir a saúde pública do Amazonas. No nosso caso, tempo custam vidas. E vidas não têm preço. É preciso urgência ou o Amazonas vai infelizmente parar de respirar.

Thiago Botelho

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