30 de julho de 2026
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Novos casos de HIV caem no mundo, mas aumentam no Brasil, aponta relatório da ONU

O país está entre os 21 que registraram aumento de novas infecções nos últimos 15 anos.

Teste rápido de HIV Rovena Rosa/Agência Brasil

Rio de Janeiro – Enquanto o mundo registra uma redução nas novas infecções por HIV, o Brasil segue na contramão. Um relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) aponta que os novos casos caíram 43% globalmente entre 2010 e 2025, mas cresceram 21,9% no Brasil no mesmo período.

Os dados foram apresentados durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro. Segundo o levantamento, o número de novas infecções caiu de cerca de 2,1 milhões em 2010 para 1,2 milhão em 2025, o menor nível registrado em três décadas.

No Brasil, o cenário preocupa especialistas. O país está entre os 21 que registraram aumento de novas infecções nos últimos 15 anos. Em 2024, o Ministério da Saúde registrou 39,2 mil novos diagnósticos. Atualmente, estima-se que cerca de 1,7 milhão de brasileiros vivam com HIV.

Especialistas apontam motivos

Especialistas relacionam o aumento dos casos a fatores sociais e estruturais, como o enfraquecimento das campanhas de prevenção, o estigma contra pessoas que vivem com HIV e as desigualdades no acesso à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP).

O infectologista Estevão Portela, da Fiocruz, defende o reforço das ações de educação e prevenção, além da ampliação do acesso à PrEP, principalmente entre populações mais vulneráveis.

O relatório aponta que o crescimento das infecções ocorre principalmente entre homens gays e bissexuais, pessoas trans e profissionais do sexo.

Apesar do aumento dos casos, o Brasil também registra avanços, como a certificação da eliminação da transmissão vertical do HIV e a ampliação da oferta da PrEP pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

América Latina registra aumento

O número de novas infecções também cresceu na América Latina. Segundo o Unaids, a região registrou alta de 25% entre 2010 e 2025.

Para a diretora-executiva do programa, Winnie Byanyima, desigualdades sociais, estigma e dificuldades de acesso aos serviços de saúde contribuem para o avanço da epidemia. Ela defende que novas tecnologias de prevenção e tratamento cheguem às populações que mais precisam.

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